A Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) da PSP controlou 20 milhões de pessoas no seu primeiro ano de atividade, anunciou hoje a instituição, que colocou 1.500 polícias nas fronteiras aéreas.
“Entre 21 de agosto de 2025 e 20 de agosto de 2026, a PSP controlou, nos seus postos de fronteira aérea, 19.749.328 cidadãos, tendo efetuado 428 detenções, designadamente por fraude documental e na sequência da deteção de medidas cautelares, incluindo mandados de detenção nacionais e internacionais, entre outras situações”, refere a força policial num balanço da atividade da UNEF pedido pela Agência Lusa.
A PSP destacou também os meios colocados na “segurança aeroportuária e controlo fronteiriço”, que “constituíram um dos principais desafios operacionais deste primeiro ano” e envolveram um total de 1.504 elementos.
A maioria dos polícias foi colocada em Lisboa (706), seguida do Porto (325), Faro (215), Açores (124), Madeira (115) e Beja (19).
As filas e os atrasos no controlo nos aeroportos, particularmente em Lisboa e Porto, têm sido algumas das críticas feitas à atuação da UNEF, e a PSP admitiu, na resposta à Lusa que a “implementação do Sistema de Entrada/Saída (EES) constituiu igualmente um importante desafio neste primeiro ano, encontrando-se o sistema em processo de implementação e aperfeiçoamento contínuo”.
A PSP "mantém um acompanhamento permanente do funcionamento dos postos de fronteira aérea, procurando assegurar simultaneamente a eficácia do controlo fronteiriço, a segurança das fronteiras externas e a adequada gestão dos elevados fluxos de passageiros”, acrescentou a instituição.
No balanço da atividade da UNEF, a PSP considera que a unidade “representou um período de elevada exigência operacional e de consolidação de competências numa área particularmente relevante para a segurança interna e para o cumprimento das responsabilidades internacionais assumidas por Portugal”.
A PSP reafirmou o “seu compromisso com uma gestão eficaz e rigorosa das fronteiras, com o combate à imigração irregular, à fraude documental e à criminalidade transfronteiriça”, prometendo continuar “a investir na capacidade operacional, na especialização dos seus polícias e na cooperação nacional e internacional”.
A UNEF, apelidada informalmente de “mini-SEF”, entrou em funcionamento a 21 de agosto de 2025 e tem como principais objetivos o controlo de fronteiras e fiscalização de imigrantes, que anteriormente pertenciam ao extinto Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).
“Não há dúvida nenhuma que foi um ano muito atribulado, ainda para mais quando foi o ano em que se implementou a 100% o novo controlo de fronteiras e que trouxe constrangimentos adicionais relativamente a um trabalho que a própria PSP estava ainda a conhecer, a desenvolver e a aprender. Tudo isto trouxe constrangimentos”, disse, a 21 de agosto, à Lusa o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia (SNOP).
Bruno Pereira considerou que a PSP “passou imensos sacrifícios”, tendo a direção nacional tomado “decisões estratégicas para conseguir dar uma resposta mais reforçada” e alguns problemas “foram ultrapassados com o alargamento da área de fronteira e reforço de quase 400 polícias”.
Com a extinção SEF há mais de dois anos, algumas competências deste serviço de segurança, nomeadamente o controlo das fronteiras aéreas, passaram para a esfera da PSP, que desde 21 de agosto do ano passado alargou as competências com a criação da UNEF.
Além da segurança aeroportuária e controlo fronteiriço, que inclui o Centro de Instalação Temporária (CIT) de estrangeiros do Porto (Unidade Habitacional de Santo António) e os espaços equiparados a CIT existentes nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, a UNEF é também responsável pelas operações de afastamento, readmissão e retorno de pessoas em situação irregular, que tinham sido atribuídas à Agência para a Integração Migrações e Asilo (AIMA).
Lusa