As temperaturas altas vieram para ficar e com estas surge a preocupação dos incêndios florestais, que a cada ano põem em estado de alerta bombeiros e população.
As temperaturas altas vieram para ficar e com estas surge a preocupação dos incêndios florestais, que a cada ano põem em estado de alerta bombeiros e população.
«A Voz do Algarve» entrevistou o Comandante dos Bombeiros Municipais de Loulé, Irlandino Santos, para conhecer que medidas estão a ser tomadas assim como o plano de Contingência para o Verão 2015, no âmbito dos incêndios florestais.
A Voz do Algarve – Qual o plano de contingência para o Verão 2015?
Irlandino Santos – O Plano de contingência para o verão de 2015 no âmbito dos incêndios florestais é o que se encontra plasmado na Diretiva Operacional Nacional (DON) nº2, a qual estabelece o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) para Portugal Continental, onde está incluída a Região do Algarve.
O DECIF implementado no Distrito de Faro reage como um todo, devidamente articulado entre os diversos Corpos de Bombeiros (CB) e os restantes Agentes de Proteção Civil (APC), tais como a GNR, PSP, INEM e outros colaborantes para o mesmo fim.
Este ano, a Região do Algarve conta com um dispositivo composto por:

Além deste dispositivo, conta ainda com a presença de 2 Brigadas de Combate a Incêndios Florestais (BCIN), uma a Barlavento a ser posicionada em Alferce (Concelho de Monchique) e outra a Sotavento a ser posicionada no Barranco do Velho (Concelho de Loulé), sempre que as condições meteorológicas e climatéricas assim o justifiquem. De sublinhar o apoio prestado pelo Centro Comunitário do Barranco do Velho, na receção e alojamento desta BCIN.
Além dos meios próprios da Região do Algarve, a Região conta com o apoio de reforços de outras regiões menos suscetíveis aos Incêndios Florestais, nomeadamente região de Lisboa, que são projetados em localizações pré-definidas de forma estratégica face à probabilidade de Incêndios Florestais. Estas movimentações de meios são efetuadas sempre que o risco de Incêndio seja igual a Muito Elevado ou Extremo, e sempre numa ótica de prevenção e 1ª intervenção.
Falando no Combate a Incêndios, a 1ª Intervenção no combate a incêndios rurais é efetuada com a ativação imediata de triangulação musculada, ou seja, são ativados 3 Corpos de Bombeiros (o do Concelho onde deflagrou a ocorrência e os 2 mais próximos) bem como um helicóptero, num total de 25 operacionais, 4 veículos e 1 meio aéreo. No caso de locais mais sensíveis, como a Serra do Caldeirão, a Serra de Monchique, ou outros que pelo seu grau de risco e perigosidade, são de imediato acionados 2 meios aéreos em simultâneo.
V. A. – Quais as alterações relativamente a anos anteriores?
I. S. – Não existem alterações significativas relativamente ao planeado no ano anterior. Registou-se a antecipação do posicionamento do Helicóptero estacionado em Cachopo, para o dia 27 de junho, em vez de 1 de julho, como inicialmente previsto na Diretiva Operacional Nacional.
No que concerne à segurança dos operacionais, a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) procedeu à distribuição de 25 Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para combate a incêndios em espaços naturais, adquiridos pela Comunidade Intermunicipal do Algarve – AMAL e pela Autoridade Nacional de Proteção Civil, com recurso ao Programa Operacional Temático Valorização do Território (POVT) no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) 2007-2013.
Além dos EPI distribuídos pela ANPC, a Câmara Municipal de Loulé encetou o processo de aquisição de EPI (79 conjuntos) para combate a incêndios em espaços naturais, com vista a completar os equipamentos em falta, bem como a colmatar todas as necessidades.
Os EPI em causa são constituídos por máscara de proteção, luvas, calça, casaco, botas, cógula, camisola interior manga comprida, apresentado o concurso um preço base de cerca de 37000 euros + IVA, dando assim rigoroso cumprimento às normas europeias no que concerne à segurança dos operacionais num Teatro de Operações.
V. A. – Como tem sido feita a preparação do Corpo de Bombeiros para este plano de contingência?
I. S. – A preparação do CB é feita com formação continua e cíclica, não só através de formações ministradas na Escola Nacional de Bombeiros, como também através do programa de instrução continua interna no Corpo de Bombeiros.
Desde 1 de janeiro de 2015 foram já ministradas 35 ações de formação, num total de 86 dias, perfazendo 688 horas de formação (para além da Instrução Contínua que ocorre no quartel), o que representa sem dúvida um esforço em termos de tempo de dedicação de todos os nossos operacionais e da Câmara Municipal de Loulé, sempre visando a busca de melhoria contínua, para assim poderem salvar (pessoas, bens e ambiente) e também aumentar os seus conhecimentos no âmbito dos riscos, em termos de segurança individual.
V. A. – Quantos efetivos estarão em serviço? Serão suficientes?
I. S. – O Corpo de Bombeiros de Loulé conta atualmente com 51 Bombeiros Profissionais e 22 Bombeiros Voluntários, sendo que durante o período mais complicado do Combate a Incêndios Florestais estão em permanência 2 ECIN (Equipas de Combate a Incêndios Florestais) e 1 ELAC (Equipas Logísticas de Apoio ao Combate), preparadas para debelar as ocorrências relativas a incêndios rurais.
Como já foi referido, a estratégia de combate passa por ativar não só o CB do Concelho onde deflagra o foco de incêndio como também os 2 CB mais próximos e ainda o Helicóptero da área de intervenção. Só com o trabalho de equipa e a articulação de esforços é possível levar a cabo esta tarefa, por vezes hercúlea, sendo certo que não é possível afirmar que o número de operacionais para a prestação de socorro e proteção a pessoas e bens será alguma vez suficiente. Tudo depende da dimensão da ocorrência, do número de ocorrências, da sua simultaneidade e do seu tipo.
No entanto, e atuando numa estratégia de antecipação e renovação das capacidades dos efetivos do Corpo de Bombeiros, está previsto para breve a proposta de admissão de 15 novos operacionais.
Os operacionais do CB de Loulé são sem qualquer dúvida extremamente competentes e rigorosos no cumprimento das suas missões, sendo frequentemente alvo de palavras de apreço por parte da população socorrida. São objeto da confiança dos elementos de Comando deste Corpo de Bombeiros, podendo ser adjetivados como dos melhores operacionais desta região.
V. A. – Quais os equipamentos/veículos disponíveis? Quantos são? Onde se encontram?
I. S. – Dispondo no seu parque de Viaturas com cerca de 30 veículos para as mais diversas valências (combate a incêndios urbanos e rurais, ambulâncias…), o CB de Loulé conta, atualmente, com os seguintes veículos de combate a incêndios em espaços naturais:

De realçar a receção este ano de um Veículo Florestal de Combate a Incêndios, que veio reforçar os meios de combate deste Corpo de Bombeiros. Este veículo, com uma capacidade de 2500 litros de água, dispõe ainda de uma sistema de sprinklers exteriores que protegem o veículo e seus ocupantes com uma cortina de água, de forma a minimizar a probabilidade de se incendiar. Este veículo, adquirido no âmbito do Programa Operacional Algarve21, cujo promotor foi a Comunidade Intermunicipal do Algarve – AMAL, tem um valor de cerca de 122.000 euros.
Todos os operacionais estão preparados para trabalhar com qualquer tipo de veículo pertencente a este CB. Todos os veículos são afetos ao CB de Loulé, podendo ser posicionados em locais estratégicos sempre que a situação o justifique, como é caso dos dias em que o risco de incêndio se apresenta em muito elevado ou extremo.
V. A. – Como tem sido feita a sensibilização da população?
I. S. – A sensibilização da população é uma atividade que é efetuada a longo prazo e ao longo de todo o ano. Os incêndios tratam-se no inverno e as cheias no verão e como tal, a prevenção com vista a minimizar os efeitos dos incêndios deve ser efetuada durante o período onde a probabilidade de estes acontecerem é menor e a sensibilização para a limpeza das linhas de água de forma a evitar cheias deverá ser feita no verão.
Deste modo, a Câmara Municipal de Loulé (através do Gabinete de Bombeiros Municipais e Heliporto e através do SMPC) tem efetuado junto da população, principalmente nas freguesias do interior do Concelho, ações de sensibilização no que toca à utilização do fogo para queimas bem como a sua proibição durante o período crítico, (que em 2015 se estende de 1 de julho a 30 de setembro).
Encontra-se em fase final de produção um manual desenvolvido pelo Gabinete de Bombeiros Municipais e Heliporto da Câmara Municipal de Loulé, denominado “Os Bombeiros informam… Aos seus lugares… Preparar… Prevenir – Um guia pessoal para agir perante um incêndio florestal”. Aqui podem ser encontradas diferentes check list, que cada um poderá adotar para minimizar os efeitos de um incêndio florestal, não só no que concerne à defesa da sua propriedade como também da sua família.
Foi desenvolvida também pelo mesmo Gabinete da Câmara Municipal de Loulé um panfleto alertando para a limpeza dos espaços naturais, nomeadamente espaços à volta de edificações. Este foi distribuído pelos espaços públicos do Concelho e remetido aos munícipes via correio juntamente com a fatura da água.
É fundamental que todos os cidadãos tenham o seu papel na sociedade e que zelem pelas suas propriedades. Será muito mais fácil e benéfico para todos se as propriedades em espaço rural se encontrarem limpas de mato, com acessos protegidos e faixas de proteção implemen-tadas. Deste modo, não só os habitantes se sentirão mais seguros, como os Bombeiros conseguirão desenvolver a sua missão de forma eficaz, eficiente e segura, evitando assim perdas quer de âmbito material, como também de vidas humanas, cujas perdas são insubstituíveis.
Por Nathalie Dias