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Juros no crédito habitação voltam a subir e chegam a 3,1% em junho

17:02 - 21/07/2026 ECONOMIA
A prestação média mensal fixou-se em 411 euros, mais 6 euros do que em maio e mais 17 euros do que em junho de 2025.

Quem tem crédito habitação em Portugal já poderá estar a sentir - ou prestes a sentir - o impacto da inversão da política monetária do Banco Central Europeu (BCE) nas prestações mensais. Depois de vários meses em que os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostravam uma descida gradual dos juros, os números de junho marcam uma mudança na tendência. A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito habitação subiu para 3,101%, mais 3,6 pontos base (p.b.) face aos 3,065% de maio, que tinha sido o valor mais baixo em três anos.

BCE aumentou as taxas diretoras em 25 pontos base em junho, pressionado pelo aumento da inflação na zona euro associado ao conflito no Médio Oriente. A Euribor - o índice de referência para a maioria dos créditos habitação em Portugal - já vinha a subir há vários meses. Os efeitos, porém, só agora começam a refletir-se de forma mais clara nos contratos existentes. 

“A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito habitação subiu para 3,101% em junho, traduzindo um aumento de 3,6 pontos base (p.b.) face a maio (3,065%)”, lê-se na nota divulgada pelo INE. Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro subiu de 2,820% em maio para 2,853% em junho, mais 3,3 p.b. - o que indica que também os novos mutuários estão a pagar mais pelos empréstimos. 

Prestação média sobe para 411 euros

A prestação média mensal fixou-se em 411 euros, mais 6 euros do que em maio e mais 17 euros do que em junho de 2025. Do total do valor da prestação, 202 euros (49,1%) correspondem ao pagamento de juros e 209 euros (50,9%) ao capital amortizado, uma repartição que mostra como quase metade do que as famílias pagam todos os meses vai, ainda, para os juros.

Quem contratou crédito mais recentemente sente o impacto de forma mais intensa. Os dados revelam que nos contratos celebrados nos últimos três meses, a prestação da casa subiu 23 euros face a maio, para 715 euros, o que representa uma subida homóloga de 13,5% face ao mesmo mês do ano anterior. 

Já o capital médio em dívida para a totalidade dos contratos atingiu 78.865 euros, um aumento de 608 euros face ao mês anterior. Nos contratos mais recentes, o montante médio em dívida foi de 179.552 euros, mais 3.747 euros do que em maio.

 

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