Salário mínimo nacional cada vez mais próximo do mediano

19:00 - 19/06/2026 ECONOMIA
Em 2025, consolidou-se tendência nos valores dos salários que leva o Banco de Portugal a alertar para riscos na produtividade

O salário mínimo nacional está cada vez mais perto do centro da tabela salarial em Portugal. Depois de vários aumentos expressivos, em 2025 o mínimo passou a representar 91% do salário mediano, reduzindo para apenas 88,5 euros a distância entre o patamar legal mais baixo e a remuneração que divide a população trabalhadora em duas metades. O Banco de Portugal (BdP) reconhece o impacto destes aumentos na redução da desigualdade, mas avisa que a compressão da distribuição salarial começa a levantar dúvidas sobre incentivos ao trabalho e à produtividade.

 

Segundo o Jornal de Negócios, o BdP nota que, entre 2010 e 2024, o salário mínimo cresceu na maior parte dos anos a um ritmo superior ao do salário mediano, aproximando de forma consistente os dois valores. Em 2025, o salário mínimo subiu 6,1%, para 870 euros, enquanto o salário mediano avançou 6,3%, para 958,8 euros. 

O chamado índice de Kaitz – o rácio entre salário mínimo e mediano – passou de 87% em 2019 para 91% em 2025, com base em microdados da Segurança Social. E, em 2024, Portugal já registava o valor mais elevado deste indicador entre os países da área do euro, com o salário mínimo a valer 69% do mediano em empresas com 10 ou mais trabalhadores, de acordo com o Eurostat.

Esta aproximação traz ganhos claros em termos de coesão social. O BdP assinala “uma redução significativa da desigualdade salarial em Portugal” nos últimos 15 anos, com o rácio entre os 10% que mais ganham e os 10% que menos ganham a cair de 3,4 em 2010 para 2,4 em 2025. Portugal apresenta hoje um dos níveis de desigualdade salarial mais baixos da área do euro. Mas o banco central alerta que “a compressão da distribuição salarial à volta do salário mínimo nacional levanta questões importantes relativamente aos incentivos dos trabalhadores e à dinâmica da produtividade da economia”.

 

Idealista News