Estudo da Magma Studio revela diferenças nas expectativas salariais dos jovens e mostra que Portugal continua a ser o destino preferencial para iniciar carreira. Google, Microsoft e Deloitte lideram o ranking das empresas mais atrativas para estudantes universitários e recém-diplomados.
Os estudantes universitários e recém-diplomados portugueses esperam receber, em média, 1.325 € líquidos por mês no primeiro emprego, numa altura em que o salário, estabilidade e progressão profissional assumem um peso crescente nas decisões de carreira. Segundo a 10.ª edição do Estudo das Empresas Mais Incríveis de Portugal (EMIP), desenvolvido pela Magma Studio, os homens apontam para um salário médio de 1.412 € líquidos mensais, enquanto as mulheres indicam 1.261 €, revelando uma diferença salarial de 12% ainda antes do início da vida profissional.
Num contexto em que o custo de vida (16%), a crise da habitação (11%) e a instabilidade política e económica (11%) estão entre as principais preocupações dos jovens, a expectativa salarial ganha uma relevância acrescida. Esta pressão económica reflete-se nos objetivos de carreira: a principal ambição da nova geração é encontrar um emprego estável e com perspetivas de progressão.
"A nova geração tem uma relação muito pragmática com o mercado de trabalho. Os jovens querem crescer, aprender e construir carreira, mas estão muito atentos às condições reais que lhes permitem ter autonomia. Salário, progressão, qualidade de vida e transparência são hoje dimensões críticas para qualquer empresa que queira atrair talento jovem", afirma Miguel Gonçalves, CEO da Magma Studio.
Embora 83% dos jovens prevejam começar a carreira em Portugal, os 17% que ponderam emigrar fazem-no sobretudo por razões económicas. Entre estes, 40,7% apontam salários mais elevados como principal motivo para procurar oportunidades fora do país, seguindo-se as melhores oportunidades de formação e progressão profissional, referidas por 30%. A mobilidade não se limita ao estrangeiro. Cerca de dois terços dos jovens inquiridos admitem mudar de cidade ou região por uma oportunidade profissional, mostrando-se disponíveis para se deslocar quando a proposta de valor justifica a mudança.
A crescente digitalização dos processos de recrutamento está também a gerar apreensão junto do talento jovem com mais de um quarto dos inquiridos a acreditar que os processos de seleção serão cada vez mais filtrados por Inteligência Artificial. Neste contexto, a possibilidade de exclusão por algoritmos sem qualquer explicação ou feedback surge como uma das preocupações associadas à entrada no mercado de trabalho.
“O fosso de género nas expectativas salariais começa logo na universidade e a crescente automação do recrutamento por Inteligência Artificial está a gerar uma enorme crise de ansiedade e rejeição nos candidatos, que exigem processos mais humanos e transparentes” acrescenta Miguel Gonçalves.
Google, Microsoft e Deloitte destacam-se como as empresas mais atrativas
No ranking global das empresas mais atrativas para estudantes universitários e recém-diplomados, a Google mantém a liderança, seguida da Microsoft e da Deloitte. BMW Group, Sonae, EDP, Bosch, Siemens, Mercedes-Benz e PwC completam o Top 10.
A nível de setores preferenciais para a entrada no mercado de trabalho, as Tecnologias da Informação e Comunicação surgem como o setor mais atrativo, seguindo-se Consultoria, Automóvel e Transportes, Bens de Consumo e Banca e Seguros.
O EMIP mostra que atrair talento jovem já não depende apenas da notoriedade da marca empregadora. Os jovens procuram organizações capazes de oferecer remuneração competitiva, oportunidades de aprendizagem, qualidade de vida, estabilidade e oportunidades de progressão profissional.
Caracterização da Amostra
O estudo recolheu 5.499 respostas, com uma amostra maioritariamente composta por participantes do género feminino (57%), enquanto os participantes do género masculino representam 42%. Em termos de área de formação ou atividade, 38% dos inquiridos pertencem à área de Tecnologia, 38% à área de Gestão e os restantes 24% distribuem-se por outras áreas de conhecimento.
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