Euribor poderá voltar a subir se o conflito no Médio Oriente se prolongar. Descobre como ficam as prestações nestas simulações.
A guerra no Médio Oriente está a impactar as carteiras das famílias em Portugal, dado o aumento da inflação. Mas não só. Também os créditos habitação estão a ficar mais caros nos últimos meses perante as subidas das taxas Euribor, que já estavam a antecipar o agravamento da política monetária do Banco Central Europeu (BCE) confirmado esta quinta-feira, dia 11 de junho. Se este conflito perdurar, a Euribor poderá continuar a subir à medida que cresce a probabilidade de haver novas subidas dos juros do BCE.
Os dados financeiros divulgados em maio vieram confirmar o impacto da guerra no Irão no mercado hipotecário. As taxas Euribor voltaram a subir para todos os prazos, embora de forma menos expressiva face ao mês anterior. A média mensal da Euribor a 6 meses fixou-se em 2,536%, enquanto o indexante no prazo mais longo situou-se em 2,804% em maio. Trata-se dos maiores valores registados em mais de um ano.
Este crescimento das taxas Euribor nos últimos meses é explicado pela reação dos mercados financeiros à subida da inflação na zona euro (para 3,2% em maio, estima o Eurostat), a qual tem vindo a ser especialmente impactada pelo crescimento a dois dígitos dos preços da energia provocado pelo conflito no Golfo Pérsico (10,9% em maio). A par de tudo isto, a Euribor também já estava a antecipar a subida dos juros do BCE na reunião desta quinta-feira (de 25 pontos base), uma decisão tomada para travar o atual ciclo inflacionista que já se está a alastrar para outros bens e serviços.
O que se tem sentido é que as taxas Euribor vão flutuando consoante o avanços e recuos relacionados com o conflito no Médio Oriente. No primeiro dia de junho, por exemplo, o indexante recuou ligeiramente, perante o compromisso de cessar-fogo entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irão. E, embora ainda não haja a confirmação de qualquer acordo entre Washington e Teerão, o Presidente norte-americano Donald Trump disse que o Irão terá aceitado não desenvolver armas nucleares no âmbito das negociações em curso.
Se os EUA e o Irão chegarem a acordo em breve, colocando um ponto final no conflito, os mercados financeiros vão ficar menos cautelosos, podendo haver reduções da Euribor. Mas se a guerra continuar, tudo indica que a Euribor poderá voltar a subir nos próximos meses, antecipando novos aumentos dos juros do BCE para controlar a inflação. Neste momento, os mercados estão a descontar, pelo menos, mais um aumento das taxas diretoras em 2026 (de 25 pontos base).
Novos créditos habitação: quanto podem subir as prestações da casa?
Perante o atual cenário geopolítico incerto, o idealista/créditohabitação preparou um conjunto de simulações para perceber como é que as potenciais flutuações da Euribor podem impactar as carteiras das famílias que estão a pensar contratar um novo crédito habitação em junho ou nos próximos meses. Isto antevendo um cenário mais pessimista, de prolongamento da guerra.
Nestes cálculos foi considerado um empréstimo habitação de 150.000 euros, com prazo de 30 anos, spread de 0,7% e Euribor a 6 meses, que é atualmente a taxa mais a utilizada em Portugal nos novos contratos a taxa variável:
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se a Euribor a 6 meses subir dos atuais 2,536% (média mensal de maio) para 2,60%, as prestações mensais poderão passar de 651 euros para 656 euros (mais cinco euros);
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e se a Euribor a 6 meses subir para 2,70%, as prestações da casa seriam de 665 euros, mais 14 euros face a quem contratou o crédito em junho de 2026 (que usa a taxa média mensal de maio).
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caso a Euribor a 6 meses suba para 2,80% - que é o atual valor do prazo mais longo - as prestações aumentariam para 673 euros, um acréscimo de 22 euros mensais face a um empréstimo assinado em junho.
Segundo Miguel Cabrita, responsável pelo idealista/créditohabitação em Portugal, a subida dos juros por parte do BCE "é, sem dúvida, uma má notícia para os consumidores, tanto para aqueles com créditos habitação com taxa variável indexada à Euribor, como para aqueles que contrataram um empréstimo de taxa mista há alguns anos e estão agora a migrar para uma taxa variável, e também como para aqueles que estão em processo de compra de casa e precisam de financiamento".
"Como sempre, acreditamos que o fundamental é explorar alternativas e tentar mitigar o risco de haver novas subidas dos juros por parte do BCE com créditos habitação de taxa fixa ou mista com prazos iniciais fixos, o maior prazo possível, para evitar surpresas desnecessárias", analisa.
O economista Miguel Córdoba, por sua vez, destaca que o maior problema do mercado não são as taxas de juros, mas sim os preços dos imóveis, que estão a "atingir níveis que tornam muito difícil para trabalhadores de classe média comprá-los". Um problema ao qual se junta a já muito referida escassez de oferta.
O especialista refere, ainda assim, que quem tem o contrato de crédito habitação indexado à taxa fixa terá menos problemas (ou nenhuns) durante este período, ao contrário de quem tem o financiamento indexado a taxas variáveis, que poderá ver a prestação da casa aumentar entre 10% a 20%.
Neste contexto de clara subida da Euribor, as famílias podem optar por soluções que trazem estabilidade nas prestações da casa, pelo menos, no curto prazo. É o caso dos créditos habitação a taxa mista, que têm tido elevada adesão no país, os quais combinam um período de juros fixos (geralmente curtos de 2, 3 ou 5 anos), seguindo-se de um período a taxa variável.
Aliás, as taxas mistas – que continuam a ser mais acessíveis - podem ser uma das soluções para viabilizar os novos créditos habitação assim que entrar em vigor a nova regra do Banco de Portugal que vem reduzir o limite máximo da taxa de esforço de 50% para 45%. "As taxas fixas e as taxas mistas também são boas alternativas para as famílias (…) para poderem conseguir ter acesso ao crédito", antecipa Cláudio Santos, vice-presidente da Associação Nacional dos Intermediários de Crédito Autorizados (ANICA), citado pelo Jornal de Negócios. O responsável não prevê que haja nova guerra de spreads, dado os riscos para o setor e por já não haver muita margem de descida, uma vez que estão abaixo de 1%.
Quem já está a pagar um crédito habitação a taxa variável indexado à Euribor também se deve preparar para sentir aumentos nas prestações mensais se forem revistas em junho (ou nos próximos meses), muito embora a dimensão do agravamento dependa também do montante em dívida, do prazo do contrato, bem como de outras condições.
Idealista News