Inflação da zona euro dispara para 2,6% em março devido à guerra

20:00 - 18/04/2026 ECONOMIA
Preços da energia aumentaram 5,1% em março, diz o Eurostat, devido aos constrangimentos gerados pelo conflito no Irão.

A inflação na zona euro deu o salto em março para 2,6%, estando bem acima da observada no mês anterior (1,9% em fevereiro), revela o Eurostat. A principal explicação prende-se com a subida dos preços da energia devido à crise causada pelo conflito no Médio Oriente. A maioria dos países da União Europeia (UE) sentiu a inflação a acelerar em março, entre os quais está Portugal.

“A taxa de inflação anual da zona do euro foi de 2,6% em março de 2026, contra 1,9% em fevereiro. Um ano antes, a taxa era de 2,2%”, lê-se no boletim do gabinete de estatística europeu. Este elevado aumento mensal deve-se à escalada dos preços da energia, devido à guerra, que passaram de terreno negativo (-3,1% em fevereiro) para um crescimento de 5,1% em março. 

Também a inflação na UE cresceu muito entre estes dois momentos pelo mesmo fator: passou de 2,1% em fevereiro para 2,8% em março. Há um ano, a taxa estava em 2,5%, informa o boletim divulgado esta quinta-feira, dia 16 de fevereiro. Estes dados agora confirmados pelo Eurostat trata-se de revisões em alta face às estimativas para este mês anteriormente anunciadas.

Já a inflação subjacente, que exclui os preços da energia e dos alimentos não transformados (mais voláteis e temporários), fixou-se em 2,2% em março, menos 0,1 ponto percentual face a fevereiro. 

Este é um dos indicadores que o Banco Central Europeu (BCE) usa para decidir sobre novas mexidas nos juros diretores para travar a inflação, pois permite perceber até que ponto a subida dos preços contaminou o consumo interno e setores críticos, como a saúde e educação. Apesar de a inflação subjacente dar sinais de estabilidade, os analistas já apontam para, pelo menos, dois aumentos dos juros BCE em 2026 para travar o atual ciclo inflacionista provocado pelo conflito no Médio Oriente.

 

Maioria dos países da UE sentiram aceleração da inflação - Portugal incluído

Entre os Estados-membros da UE, as mais altas taxas de inflação medidas pelo Índice Harmonizado dos Preços no Consumidor (IHPC, que permite fazer comparações) registaram-se, em março, na Roménia (9,0%), Croácia (4,6%) e Lituânia (4,4%). As menores taxas anuais de inflação, por outro lado, foram observadas na Dinamarca (1,0%), Chipre, República Checa e Suécia (1,5% cada) e Itália (1,6%).

Em Portugal, a inflação medida pelo IHPC avançou para os 2,7%, valor que se compara com os 1,9% homólogos e os 2,1% de fevereiro, mostram os mesmos dados.

“Em comparação com fevereiro de 2026, a inflação anual diminuiu em três Estados-membros, manteve-se estável em um e aumentou em vinte e três”, refere ainda o Eurostat. Ao que tudo indica, a subida dos preços da energia impactou a maioria dos 27 países da UE, à exceção da Eslovénia, Eslováquia, Suécia onde caiu, e de Malta onde estabilizou.

 

Idealista News