O bispo do Algarve pediu este sábado aos jovens que não sejam «cristãos só de Domingo de Ramos».
“Gostaria de deixar-vos um desafio muito concreto, particularmente para estes dias. Não sejais cristãos só de Domingo de Ramos. Entusiasmados num dia, mas depois afastados nos outros dias. Caminhai com Jesus até à cruz, para depois poderdes experimentar a alegria da ressurreição”, disse-lhes D. Manuel Quintas na Eucaristia de encerramento da Jornada Diocesana da Juventude (JDJ) celebrada na Sé de Faro.
“Neste Domingo de Ramos vemos Jesus entrar em Jerusalém aclamado como rei. Poucos dias depois foi rejeitado, condenado e crucificado. É um contraste muito forte, quase desconcertante”, evidenciou, admitindo que muitos dos que pediram a crucifixão de Cristo tenham estado, dias antes, a acolhê-lo em Jerusalém, aclamando-o como rei e messias.
“Essa multidão, que hoje grita «Hossana ao Filho de David! Bendito o que vem em nome do Senhor» e uns dias depois diz «Crucifica-o», somos nós. Reflete a nossa maneira de ser e de estar, a nossa fragilidade. Isto obriga-nos a perguntar: de que lado estou eu? Sou discípulo de Jesus só nos momentos fáceis? Ou também sou discípulo de Jesus quando é preciso carregar a cruz?”, prosseguiu.
D. Manuel Quintas acrescentou que “ficar do lado de Jesus nunca é uma opção de neutralidade”. “Quem está com Ele, por vezes, tem de remar contra a corrente, contra o pensamento comum, contra aquilo que toda a gente pensa, faz, decide e diz. E, às vezes, essas ondas são alterosas.Tem de fazer opções, com as quais inspira a sua vida, sobre valores, que deveis considerá-los inegociáveis”, sustentou.
O bispo do Algarve disse aos jovens que “dar testemunho significa ter a coragem de ser verdadeiro, respeitando, naturalmente, a opção dos outros”. “Significa defender o bem quando outros gozam, criticam. Significa não ter vergonha de acreditar, de rezar, de amar tal como Cristo. Significa dobrar-se sobre quem está prostrado, incluir quem é deixado de lado. Significa perdoar mesmo quando dói. Dar testemunho não significa sermos cristãos perfeitos, sermos já santos. Mas significa querer sê-lo. Significa ser fiel, significa que sempre que caímos voltamos a levantar-nos”, desenvolveu, acrescentando ser “na amizade com Cristo que nasce a força do testemunho”.
D. Manuel Quintas disse ainda aos participantes da JDJ que “o mundo precisa de jovens que não tenham medo de dar sentido à vida”, “carismáticos, com conteúdo humano, que pretendem o bem comum e que defendem a todo o custo a dignidade da pessoa humana”. “O mundo precisa de jovens que não tenham medo de viver com sentido, que não se vendam ao imediato, ao passageiro, mas que escolham pautar a sua vida por aquilo que é o amor autêntico”, complementou.
“Talvez através de vós outros possam também encontrar o seu caminho da verdadeira alegria e da verdadeira felicidade”, referiu.
No final da celebração, o bispo do Algarve pediu ainda aos jovens que comecem a pensar na participação da Jornada Mundial da Juventude de 2027, em Seul, na Coreia do Sul, e também no ‘Rejoice’ 2026, a Jornada Nacional da Juventude que vai decorrer de 24 a 26 de julho, em Lamego.
A JDJ, com a participação de mais de 300 jovens de toda a Diocese do Algarve, foi promovida na sexta-feira e no sábado pelo Setor Diocesano da Pastoral Juvenil (SDPJ) em colaboração com as paróquias do Montenegro, São Luís, São Pedro (incluindo a comunidade do Patacão) e Sé da cidade de Faro. No final da Missa aquelas comunidades receberam a oferta de uma oliveira e o coordenador do SDPJ, João Costa, anunciou que a JDJ do próximo ano será realizada na paróquia de Albufeira.
Folha do Domingo