Fotos: Samuel Mendonça
Domingo de Ramos: Bispo do Algarve afirmou que a Semana Santa é «convite à coerência» dos cristãos

19:00 - 31/03/2026 FARO
D. Manuel Quintas pediu também «oração mais intensa» pela paz

O bispo do Algarve afirmou no Domingo de manhã, na celebração do Domingo de Ramos que deu início à Semana Santa, que tudo o que é nela celebrado «constitui para todos um convite à coerência: a permanecer com Cristo não só nos momentos bons, mas também junto à cruz».

Na homilia que proferiu na Eucaristia na Sé de Faro, após a bênção realizada diante da igreja da Misericórdia e a procissão dos ramos que se seguiu até à catedral, D. Manuel Quintas lembrou que “o povo que aclama Jesus é o mesmo que, dias depois, o rejeita”. “Isso revela grande desconforto: revela a instabilidade do coração humano e, sobretudo, a falta de clarividência e de compromisso em relação às nossas opções. Quando tudo vai bem, seguimos Jesus; quando exige entrega, detemo-nos ou mesmo recuamos”, lamentou, acrescentando: “a atitude do povo de Jerusalém pode refletir muitas vezes a nossa própria atitude”. “Quando e em que situações aclamo Jesus, para pouco depois o esquecer e talvez passar a agir como se ele fosse, para mim, um desconhecido? Cultivo uma fé circunstancial ou uma fé que se traduz num compromisso de todas as horas?”, questionou.

O bispo diocesano evidenciou que “Jesus não foge da cruz”, mas “abraça-a e carrega-a aos ombros” e “escolhe amar até o fim”. “Jesus mostra-nos que a cruz não é fracasso. É amor levado ao extremo. E aqui surge para todos uma proposta concreta: seguir Jesus não significa evitar o sofrimento a qualquer custo, mas sobretudo aprender a amar mesmo quando custa: amar na família, quando é difícil perdoar; amar no trabalho, quando é mais fácil ser injusto; amar na vida, quando os nossos passos se tornam mais vacilantes devido ao peso da cruz e ao cansaço acumulado ao longo do caminho”, prosseguiu.

D. Manuel Quintas disse ainda a todos que nesta semana não se devem considerar “simples espetadores na evocação de algo que aconteceu há mais de dois mil anos”. “A Semana Santa não constitui um convite para assistirmos a ela, mas para participar e celebrar. Deixemo-nos envolver pela espiritualidade dos mistérios que celebramos nesta semana”, pediu, interrogando: “vamos seguir e acompanhar Jesus, apenas com o espírito do domingo de Ramos, quando tudo corre bem na nossa vida, ou estamos decididos a acompanhá-lo até ao monte Calvário, até à cruz para poder participar na alegria da Ressurreição?”.

“A liturgia da Igreja oferece-nos estes dias como uma oportunidade única para abrandar o ritmo da nossa vida ou, se possível, mesmo parar, fazer silêncio, rezar um pouco mais do que é habitual, para participar e interiorizar quanto celebramos. Foi também por mim, foi também por ti que Jesus padeceu, foi crucificado, morto e sepultado e ressuscitou, como expressão de um amor até ao fim”, afirmou D. Manuel Quintas, considerando que “entrar com este espírito na Semana Santa”, de modo a “celebrar com verdade” os mistérios fundamentais da fé cristã, “poderá significar para cada um a transformação da própria vida”.

No início da celebração de bênção dos ramos, o bispo do Algarve lembrou que Jesus entrou em Jerusalém como “como mensageiro da paz, montado num jumentinho, animal pacífico, não num cavalo que simboliza necessariamente a guerra”. “Sabemos como está o mundo de hoje. Que este apelo à paz que encontramos desde já neste Evangelho possa constituir para todos motivo de uma oração mais intensa ao Senhor ao longo desta semana para que, particularmente aqueles que presidem aos destinos dos povos, se transformem também em mensageiros e construtores da paz. Que o diálogo seja a primeira opção, seja a primeira grande força que pacifica e pacificadora, de todos os confrontos que hoje avassalam a humanidade, particularmente naqueles países nossos conhecidos”, pediu, lembrando que se vivem “tempos de grande instabilidade que se refletem não apenas ao nível geral, mas ao nível das famílias, ao nível de cada um”.

A Semana Santa terá como ponto alto a celebração da Vigília Pascal no próximo sábado, 04 de abril, na passagem de Sábado Santo para Domingo da Ressurreição. Este acontecimento, que sustenta a sua fé, trata-se da celebração mais importante para os cristãos.

A imersão no «coração» das celebrações pascais dá-se na Quinta-feira Santa (17 de abril) com o início do Tríduo Pascal, na Missa vespertina da Ceia do Senhor.

 

Folha do Domingo