O antigo piloto de motociclismo Miguel Praia, o primeiro português a competir no Mundial de Superbikes (WSBK), classificou hoje como uma «loucura» o início da sua trajetória internacional, traçando um paralelo com a adaptação de Miguel Oliveira à categoria.
Em declarações à Lusa sobre o seu percurso, Miguel Praia, agora diretor técnico do Autódromo Internacional do Algarve (AIA), em Portimão, e conhecedor das capacidades de Miguel Oliveira (BMW), recordou o seu salto dado em 2004 para o Mundial de Superbike, após dois títulos nacionais.
"O nosso nível em Portugal não era fantástico quando nos confrontávamos com os melhores lá de fora. Sair de um campeonato nacional era quase como pedir a uma equipa amadora para jogar na Champions", afirmou, apontando o fosso competitivo da época.
Miguel Praia, de 48 anos, natural de Portalegre, começou a correr em 1994, aos 16 anos, estreando-se em 2024 no Mundial de Superbike pela equipa Xerox Nortel Net, aos comandos de uma Ducati 999 RS ao lado do australiano Garry McCoy, tendo participado em 40 corridas.
Contudo, foi no Mundial de Supersport que obteve maior regularidade, somando 80 corridas entre 2006 e 2015, a maioria delas com a equipa portuguesa Parkalgar Honda. O seu melhor resultado foi um sexto lugar.
Nos últimos anos da carreira competiu no campeonato brasileiro Moto 1000GP, retirando-se oficialmente das pistas no final de 2015.
Em 2003, Praia participou no Grande Prémio de Portugal de MotoGP como convidado, terminando na 22.ª posição.
A carreira de piloto nasceu em simbiose com a idealização do Autódromo Internacional do Algarve (AIA), concretizado por Paulo Pinheiro, falecido em 2025, explicou Miguel Praia.
"Tínhamos uma equipa de engenheiros e arquitetos que conseguiam 'espiar' o melhor que havia em todo o mundo para poder, quatro anos mais tarde, projetar o autódromo", revelou, destacando que a equipa serviu “não só para promover o motociclismo nacional, mas como um laboratório de investigação e análise de circuitos”.
Sobre o atual momento do motociclismo português, Miguel Praia realçou o impacto de Miguel Oliveira, que deu à modalidade uma "visibilidade" sem precedentes, afastando o estigma do "patinho feio".
No entanto, alertou para os desafios que o piloto de Almada enfrenta na transição do MotoGP para as Superbikes.
"As motos são completamente diferentes e os pneus são um fator determinante. O Miguel [Oliveira] precisa de tempo para ler e entender este campeonato", explicou Praia. Apesar disso, confirmando-se o bom ritmo demonstrado nos testes por Oliveira, o antigo piloto perspetiva um resultado histórico imediato: "Acredito que teremos o Miguel no pódio muito brevemente, talvez já em Portimão, o que seria um feito tremendo na sua segunda corrida".
Miguel Praia destacou ainda o regresso da "lenda" britânica Jonathan Rea ao traçado algarvio no fim de semana, substituindo um piloto lesionado, como um fator de valorização "tremendo" para o evento, dada a ligação afetiva do recordista de títulos ao circuito de Portimão.
Ao longo da carreira, Jonathamn Rea acumulou 13 títulos mundiais, tendo vencido por seus vezes no circuito algarvio.
Lusa