O Partido Social Democrata (PSD) desistiu de liderar a direita no Algarve

16:07 - 25/02/2026 POLÍTICA
Finda a sucessão de atos eleitorais Legislativas, Autárquicas e Presidenciais, impõe-se olhar para Faro com frieza analítica e sentido crítico.

Os resultados autárquicos falam por si. A Direita em Faro não perdeu por acaso. Perdeu por erros políticos, por ausência estratégica e por incapacidade das suas lideranças.

Na capital tudo dependia dos líderes da direita, mas a sua incompetência para transformar essa conjuntura favorável num projeto político consolidado, foi evidente.

O líder do PSD Algarve, Cristóvão Norte, numa lógica excessiva de centralização estratégica, demonstrou uma preocupante falta de visão e ao invés de afirmar um rumo para o bem dos farenses e dos algarvios, optou por uma gestão tática e conjuntural que conduziu a um resultado diminuto que agradou transversalmente, apenas, às suas estruturas internas. O resultado, depois de uma evidente diluição da mensagem e de uma maior fragmentação do eleitorado, resultou num crescimento das forças que ocuparam o espaço deixado vago por uma Direita descaracterizada, não deixando de ser, por isso, um dos principais responsáveis pelo crescimento do CHEGA na região.

O PSD hesitou onde deveria ter sido inequívoco. Não assumiu, sem complexos, um candidato forte. Preferiu manter equilíbrios internos e somas improváveis a afirmações políticas claras.

Note-se, porém, que seria intelectual e institucionalmente desonesto ignorar a danosa gestão do CDS-PP nestas eleições, em particular após anos de governação nesta autarquia. Não se podem eximir de responsabilidades.

Também aqui Cristóvão Norte falhou ao preferir o PAN ao CDS-PP. Aliás, quem ouvisse as declarações do líder do PSD entendia que estava mais próximo do centro-esquerda que da direita democrática.
O desafio é evidente e o que os resultados recentes demonstram é de leitura simples. 

A Direita só será alternativa em Faro, com uma nova liderança capaz de superar personalismos, de abandonar cálculos de curto prazo e de compreender que ser líder não é ocupação de espaço, mas sim a construção de confiança.

É necessária uma liderança que respeite os valores da família, da pessoa humana e da justiça social, só assim conseguirá a Direita liderar a região algarvia.

 

Lourenço Pinheiro Melo

Presidente da Concelhia da JP FARO