Fotos: Samuel Mendonça
Casal do Setor Cascais veio motivar à esperança casais do Setor Algarve das Equipas de Nossa Senhora

17:30 - 06/02/2026 ALGARVE
O encontro do Setor Algarve do movimento das Equipas de Nossa Senhora (ENS) ficou marcado no passado sábado pelo testemunho de um casal convidado do Setor Cascais.

Aos casais algarvios, Ana e Filipe d’Avillez garantiram que as equipas de casais são “o lugar por excelência” onde podem confrontar a sua vida em casal e em família e onde podem discernir os “desafios que Deus” lhes vai apresentando. “É este lugar que nos desafia a querermos ser mais enquanto casal e enquanto família, a fazer este caminho de verdade com Jesus”, afirmaram, explicando que esse caminho de construção os deverá “levar à santidade um ao outro”.

Casados há 20 anos, com seis filhos, Ana e Filipe d’Avillez pertencem ambos à terceira geração familiar de equipistas, tendo os dois crescido com aquele movimento de espiritualidade conjugal “sempre muito presente” nas suas vidas. O casal conheceu-se inclusivamente no contexto das Equipas de Jovens de Nossa Senhora, um movimento independente, mas que surgiu das ENS.

“Sentimos que o maior apelo do casamento cristão e daquilo que Deus nos pede é termos uma vida fecunda e isso passa também pela construção da nossa família”, explicou Ana, acrescentando que procuraram “estar sempre abertos ao dom da vida”.

“Às vezes é difícil, mesmo no contexto familiar onde a reação a mais um filho nem sempre era boa porque no meio disto houve desempregos, dificuldades, uma vida apertada financeiramente, cansaços e nem sempre era bem recebido o facto de vir mais uma criança. Mas íamos sentindo que era isto que Deus nos pedia, de sermos generosos com aquilo que tínhamos, com a nossa vida, com a nossa disponibilidade e chegámos a estes seis maravilhosos filhos que nos enchem de alegria e que nos trazem muitas coisas muito felizes”, testemunhou, lembrando que nos momentos mais complicados foi preciso “voltar à origem” para “viver numa atitude de confiança”.

“O passo que demos quando casámos foi dado com Deus e, portanto, Ele está lá, não nos podemos esquecer que Ele está connosco”, acrescentou, explicando terem vivido “uma experiência muito forte” neste “exercício de entrega”. “Somos muito agradecidos porque Deus nunca nos faltou. Não houve nada que confiássemos a Deus que não ficasse resolvido. Em alturas mais complicadas financeiramente, em questões de saúde, nunca nos faltou nada”, garantiu.


Filipe explicou que a fé dos d’Avillez passa por corresponder ao amor de Deus. “O essencial da nossa fé é tentar amar como Deus nos ama, é tentar responder a esse amor, ter um coração capaz de amar como Deus nos ama. E os filhos são a forma mais fácil de o fazer porque é fácil amar os filhos. Mas queremos também ir mais longe do que isso, ter um coração aberto também aos outros”, testemunhou, explicando que, quando há outras solicitações, elas permitem alargar o seu coração para poder “amar um pouco mais como Deus ama”. “Por mais filhos ou mais pessoas que entrem na minha vida o meu coração dilata e o amor não se esgota. Pelo contrário, acho que o amor não se divide, mas multiplica-se”, complementou Ana.


O casal lamentou a falta de esperança nos casais de hoje que contraria o desejo de terem mais filhos e “de olhar o mundo e olhar a vida de forma diferente”. “Temos todos esta obrigação de dar este testemunho de esperança”, alertaram, explicando que “ter seis filhos não é 3×2”, ou seja, “três vezes o trabalho de dois”. “Não é sequer seis vezes o trabalho de um. Isto vai-se relativizando e os mais velhos ajudam”, sustentaram.

E nesse sentido, o casal acrescentou que a dimensão da fecundidade não se esgota só na família e, por isso, em 2019 acolheram a Solange – que consideram como a sua sétima filha -, uma jovem maior de idade que “não tinha para onde ir”, após sair de uma instituição de acolhimento “onde as coisas não correram bem”. “Quando chegou lá a casa dizia coisas muito duras. Não acreditava na família, no casamento, no amor. Não acreditava em nada porque era a experiência de vida que ela tinha”, contou Ana, explicando tratar-se da “falta de esperança fruto da vida que ela teve” e que passaram quatro anos para que tivesse querido receber os sacramentos da iniciação cristã e que o seu horizonte se abrisse para o “desejo de construir uma família, uma casa, um lar”.

O casal d’Avillez garantiu que “a equipa tem sido uma verdadeira escola de fé e acompanhamento” para si. “Esta vivência com a equipa tem-nos permitido também relativizar muitos os nossos problemas”, afirmaram Ana e Filipe, acrescentando: “as equipas de casais têm sido o nosso caminho. Todas estas ferramentas que o movimento propõe para nós têm-nos feito sentido e têm-nos ajudado”.

Filipe disse ainda que algo que sempre o atraiu nas ENS é tratar-se de “um movimento onde cabe tudo”, ou seja, membros pertencentes a outros movimentos ou ligados a institutos ou ordens religiosas. “Estamos bem ali porque as equipas não impõem uma forma de pensar como alguns movimentos fazem e são livres de o fazer”, explicou.

Relativamente à possibilidade de alargar as Equipas de Jovens de Nossa Senhora ao Algarve, o casal mostrou-se disponível para dinamizar desde que haja vontade local.

 

Folha do Domingo