O «DICCIONÁRIO»

15:01 - 24/01/2026 OPINIÃO
António Dores | antonio.humberto.dores@gmail.com

Sem querer ofendi gente com a palavra indigente

Pedi perdão à oratória, fiz da contrição memória

Sem prejuízo da responsabilidade,

Fiz da palavra saudade, satisfação e respeito

Palavra que eu levo no peito para não fugir à verdade...

Sem querer, usei esse diccionário

Feito de palavras explicadas

Esse fiel companheiro, das palavras enunciadas

São páginas e páginas de abecedário

De letras pequeninas catitas

Pintadas a tinta preta, nas folhas amarelecidas

Pela passagem dos anos, vintage de qualidade

Onde medra a sabedoria, em toda a sua verdade

Mas o erro também consta, do dicionário fiel

Pois ao longo destes anos

Desde a fundação do País, ao Panteão, Pantagruel,

Deixa qualquer Chef infeliz...

A palavra Gourmet, é para ser apreciada,

Acompanhada com molho

Um fio de azeite e ervas finas

No vulgo da profissão; um apontamento de coentrada

Para se degustar o conceito,

De uma leve sopinha de letras bem miudinhas

Servida à mesa como entrada…

Já o prato enfarta brutos

Que do diccionário também consta

Mesmo antes do Otário

E das palavras mesa posta...

Sem prejuízo da dúvida, fiz das tripas coração

Dei graxa ao obituário, das palavras em desuso

Ressuscitei as relíquias, das palavras arcaicas

Dei espaço aos Neologismos Liberais descarados

Aos pontapés com a Lexicografia,

Dos nossos antepassados...

E sem querer ofender, ofendi gente sensível

Que ensandeceu ao ler, este poema impossível

Dei graxa ao cágado, cagado, que estava sujo de lama

Ficou um mimo o bicho, nem mais cágado se chama...