O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo inicia a campanha para as eleições de 18 de janeiro no Algarve, apostando numa estratégia centrada no contacto direto com a população e na afirmação da sua independência face às estruturas partidárias tradicionais.
Sem o apoio de qualquer máquina partidária, o antigo chefe do Estado-Maior da Armada parte para a corrida presidencial valorizando a sua notoriedade pública e a chamada “marca independência”, num contexto eleitoral que junta sete candidatos com apoio formal de partidos políticos.
A campanha arranca na sexta-feira no Algarve, região escolhida para o início do percurso nacional, que será marcado sobretudo por ações de proximidade, como iniciativas de rua, visitas a empresas e associações, bem como almoços e jantares com apoiantes. Em cada um destes encontros está previsto um discurso de encerramento por parte do candidato.
No sábado, Gouveia e Melo estará entre Sintra e Óbidos, seguindo-se, no domingo, o almoço de lançamento oficial da campanha, no pavilhão do Bairro da Boavista, em Lisboa, depois de uma visita matinal à Feira do Relógio. A partir de segunda-feira, a campanha prossegue por Campo Maior, Portalegre e Viseu.
A candidatura reconhece que a ausência de uma estrutura partidária obriga a um esforço organizativo diferente, sustentado em voluntários e coordenadores distritais, muitos deles sem experiência política. Ainda assim, a equipa do candidato acredita que a independência será um fator “poderoso” e diferenciador, capaz de compensar eventuais dificuldades de mobilização.
Durante o período oficial de campanha, entre 4 e 16 de janeiro, Gouveia e Melo prevê realizar três a quatro iniciativas por dia, percorrendo a maioria dos distritos do país. Apesar de não constarem do roteiro oficial os distritos de Beja, Évora, Guarda e Castelo Branco, nem as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, a candidatura sublinha que estes territórios já foram visitados na fase de pré-campanha.
A coesão territorial surge como um dos temas centrais da candidatura, sob a ideia de “Portugal a uma velocidade”, a par das áreas da saúde, habitação, segurança e coesão social. A equipa rejeita também uma estratégia focada apenas nos grandes centros urbanos ou no litoral.
Na reta final, a partir de 9 de janeiro, o candidato intensificará a presença nos distritos do norte e nas áreas metropolitanas, com várias passagens pelo Porto, Grande Lisboa e Braga. A campanha termina a 16 de janeiro, em Lisboa, estando ainda por confirmar a realização da tradicional descida do Chiado.
As eleições presidenciais realizam-se a 18 de janeiro de 2026, com um número recorde de 11 candidatos. Além de Gouveia e Melo, concorrem Luís Marques Mendes, António Filipe, Catarina Martins, António José Seguro, Humberto Correia, André Pestana, Jorge Pinto, Cotrim Figueiredo, André Ventura e Manuel João Vieira.
Trata-se da 11.ª eleição presidencial em democracia desde 1976.