Caixa Capital vende participação de 10% no Grupo Vila Galé por 33 ME

19:25 - 13/07/2015 ALGARVE
A Caixa Capital, através do fundo de capital de risco Grupo CGD, alienou aos demais acionistas a participação de 10% que detinha no Grupo Vila Galé por 33,075 milhões de euros, anunciou hoje a entidade.

"Saímos com uma rendibilidade que nos reconforta e que está em linha com este setor" do capital de risco, afirmou à agência Lusa o presidente executivo da Caixa Capital, José Carrilho, sem especificar a mais-valia obtida com esta operação.

A Caixa Capital entrou no capital do Grupo Vila Galé em meados de 2009 no âmbito de um processo de reorganização acionista, que implicou a saída de um acionista minoritário e permitiu o controlo do capital por parte da atual equipa de gestão liderada por Jorge Rebelo de Almeida.

O líder da Caixa Capital deixou elogios ao trabalho desenvolvido nos últimos seis anos pela gestão do Vila Galé, considerando que este ponto final na relação (ao nível da posição detida no capital da 'holding') é normal depois de ter sido cumprido "o percurso normal de um investidor de capital de risco como a Caixa".

Até à saída da Caixa Capital, hoje anunciada, a estrutura acionista estava dividida entre os 80% detidos pelos promotores (entre os quais Jorge Rebelo de Almeida), os 10% da Caixa Capital e os 10% de ações próprias.

Agora, os promotores passaram a deter 90%, tendo já pago os cerca de 33 milhões de euros para tomar a posição de 10% que estava no maior fundo da unidade de capital de risco da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Desde a entrada da Caixa Capital na sua estrutura acionista, o Grupo Vila Galé abriu sete novos hotéis (Lagos, Coimbra, Cumbuco, Palácio dos Arcos, Rio de Janeiro, Évora e Douro), num investimento total superior a 100 milhões de euros.

"Deste modo, foi possível cimentar a sua posição como o segundo maior grupo hoteleiro português com operações em Portugal e no Brasil num total de quase 12 mil camas em 27 hotéis", destacou em comunicado a Caixa Capital.

Já a evolução económica "foi também bastante positiva", realçou a entidade, apontando para a faturação de 92 milhões de euros e o EBITDA (lucro operacional) de 30 milhões de euros em 2008 para 118 milhões de euros e 40 milhões de euros, respetivamente, em 2014.

A Caixa Capital vincou também a "forte solidez financeira" do Grupo Vila Galé, que apresentava no final do ano passado um grau de autonomia financeira superior a 55% e um "nível muito reduzido de passivo financeiro líquido".

José Carrilho disse à Lusa que, depois de alguns anos em que o fundo Grupo CGD (370 milhões de euros) esteve particularmente ativo ao nível do investimento, este ano a estratégia inverteu-se e vai haver mais desinvestimento do que novos investimentos.

"No conjunto dos fundos geridos pela Caixa Capital existem 78 empresas participadas. Nos primeiros seis meses do ano investimos cerca de 32 milhões de euros e desinvestimos 91,3 milhões de euros. E esta tendência deve manter-se até ao final do ano", revelou.

Para ilustrar, o responsável apontou para o recente desinvestimento na Sumol+Compal, anunciado no final de abril, onde o mesmo fundo da Caixa Capital detinha uma participação de 10,5% e que levou a um encaixe na ordem dos 19 milhões de euros, sem ter sido também libertado o valor da mais-valia obtida pela sociedade gestora de fundos de capital de risco do banco público.

Certo é que o Grupo CGD vai continuar ligado ao desenvolvimento do Grupo Vila Galé, neste caso, através do investimento numa subsidiária constituída para o lançamento de uma nova unidade hoteleira em Évora (185 quartos), que foi inaugurada em abril último.

O investimento total nesta nova unidade ascendeu a 15,3 milhões de euros, dos quais dois milhões de euros são oriundos de um fundo gerido pela Caixa Capital.

 

Por: Lusa