Salir regressa ao século XIII para mais um Festival de Artes Medievais (FOTOS E VIDEO)
14:45 - 11/07/2015
LOULÉ
Foi esta sexta-feira, 10 de julho, que se inaugurou mais uma edição do Salir do Tempo, o Festival de Artes Medievais que transporta a vila de Salir e todos os que a visitam de volta ao século XIII através da projeção de elementos vivos dessa época
. Este ano foi marcado por uma nova dinâmica, com a redistribuição dos espaços e introdução de atividades que levaram a uma maior interação com o público.
Durante o período da Reconquista, Salir assumiu-se como ponto estratégico aquando da transição do domínio muçulmano para o cristão, o que deu origem às mais variadas demonstrações de força, tendo também vivido momentos alternados pelas constantes tentativas de normalização do quotidiano, onde as artes revelaram elevada importância. Neste contexto, o Salir do Tempo realiza-se no sentido de recriar a nossa história, em particular durante o período em que as leis da Cristandade, os valentes cavaleiros, a música medieval, os monges copistas e os alquimistas eram uma realidade e que são aqui recriados num cenário rural.
O Cortejo Régio, um dos momentos mais esperados, iniciou-se pelas 19 horas, depois da abertura do mercado, e contou com todos os elementos vivos que fizeram parte deste evento medieval e, de entre outros, contou também com a presença do Presidente da Junta de Freguesia de Salir, Deodato João a Vereadora da CML, Ana Machado e ainda Luís Guerreiro da CML.
Esta sexta-feira foi ainda marcada por recriações do ataque e resgate do burgo por uma mesnada conduzida pelo Rei D. Afonso III e pelos festejos da vitória com danças e folguedos e o anúncio de restauro das fortificações. Para além disso, a noite foi ainda marcada por atuações de grupos como Al Folk, Arraia d’Olos, Eduardo Ramos, Rakhatta e ainda Arakisati Fahar, representando a dança moura e sefardita, enquanto a Associação Artística Satori apresentou aos visitantes espetáculos de fogo e malabares. Los Chuplas, Charneca e Ramones, o Vicenteatro e o grupo Ao Luar Teatro também animaram a noite nesta vila do interior do Conselho de Loulé. Também os acampamentos e demonstrações militares contaram com apresentações de grupos como os Lobos Negros e Lota del Tinto. O espetáculo “Moura Encantada” é outras das grandes atrações desta festa, pois não podemos esquecer que reza a lenda que a vila foi denominada de Salir em homenagem à jovem moura, filha do alcaide de Castalar, que durante a invasão do castelo por D. Afonso III foi capturada e misteriosamente transformada numa estátua de pedra.
Mas não só de atuações artísticas é feita esta representação do conflito entre cristãos e muçulmanos, pois também as suas tradições e hábitos gastronómicos foram reproduzidos, sendo os alimentos servidos em tábuas de madeira, em louça da época e as bebidas vendidas na tradicional caneca de barro. Para além disso, os participantes, tanto da área da restauração como do comércio, encontravam-se vestidos a rigor.
Os mais pequenos também não foram esquecidos pela organização, podendo brincar nos carrosséis de cana e madeira, uma recriação das brincadeiras da Idade Média e que foram contruídos artesanalmente e movidos manualmente. Também a área dedicada aos animais, nomeadamente dromedários e falcoaria, é um forte ponto de atração para as crianças.
O objetivo deste evento é promover o conhecimento da importância histórica do território e contribuir para o desenvolvimento turístico e cultural do Concelho de Loulé através da valorização do seu património material e imaterial, da sua função pedagógica e visibilidade dos agentes criativos locais e regionais.
Se não teve oportunidade de visitar Salir ontem, hoje sábado 11 de julho, a vila volta a vestir-se de forma a recriar o ambiente medieval. No último dia de festa, os mercadores e artesãos iniciam a sua atividade comercial às 18h00 e, pelas 19h00, acontece o cortejo régio em homenagem a D. Afonso III pelas ruas do Burgo e a Bênção da Feira, pela entidade religiosa. Às 21h00, as atenções centram-se na visita do Almotacem e do Meirinho às bancas de artesãos. Segue-se a teatralização do torneio de armas a cavalo e os festejos e folguedos com bailias e folias com saltimbancos e histriões. A partir da 01h00, o espetáculo de malabares de fogo “Mare Tenebrum” marca o encerramento das festividades.