ACRAL quer que algarvios conheçam a real dimensão do projeto IKEA

21:42 - 06/03/2015 LOULÉ
A associação empresarial ACRAL quer dar a conhecer aos algarvios a real dimensão do megaprojeto IKEA previsto para os concelhos de Loulé e Faro.

Segundo Victor Guerreiro, presidente da ACRAL, apesar do que muito se tem dito na comunicação social sobre o projeto da IKEA para o Algarve, “os algarvios desconhecem a real dimensão do que se pretende instalar junto ao nó do aeroporto na Via do Infante”.

“As pessoas pensam que se trata de uma loja IEKA normal e por isso não conseguem perceber os perigos para a economia regional”, refere o responsável da ACRAL.

“Os algarvios têm que perceber que o que está previsto é um megaprojeto comercial com mais de 40 hectares de área, um colosso que promete secar tudo à sua volta como um eucalipto”, diz Victor Guerreiro.

O projeto IKEA em números

O que se vai construir em Loulé é um colosso comercial que tem:

1) Mais de 407 mil m2 de área total do projeto
2) Mais de 131 mil m2 de área construída
3) Uma loja IKEA
4) Dois centros comerciais com 220 lojas
5) Duas lojas de grande dimensão com cerca de 20 mil m2 de área 

“É este gigante comercial que ameaça a economia local”, garante Victor Guerreiro, sublinhando que a ACRAL “nunca se opôs à abertura duma loja IKEA normal no Algarve”.

“O que querem construir junto à Via do Infante em zona atravessada por aquíferos, em terrenos que sempre tiveram uso agrícola, junto ao principal nó de acesso à capital de distrito, ao futuro hospital central e ao aeroporto, não é uma loja IKEA, é um mega centro comercial que atenta contra o ambiente, a sustentabilidade do ordenamento do território e contra a economia regional”, refere o responsável associativo.

“Uma vez aberto, este gigante comercial ameaça destruir não só as lojas do comércio tradicional, mas por em causa indiretamente todas as empresas que na cadeia económica prestam serviços às lojas e empresas que desaparecerão por efeito direto deste projeto. Este é o efeito dominó que importa sublinhar”, diz Victor Guerreiro.

Os empresários algarvios não se opõem a uma qualquer loja IKEA, mas sim a um projeto megalómano que criará uma centralidade artificial junto ao nó do Aeroporto da A22 com consequências sérias na criação de um desequilíbrio estrutural na distribuição das atividades económicas no território da região.

Aquilo a que muitos chamam nova centralidade é na realidade a criação de uma fragmentação das zonas comerciais previstas nos instrumentos de gestão territorial, exatamente o contrário do que aqueles instrumentos defendem e pretendem proteger.

Para o presidente da ACRAL, associação que lidera um conjunto de seis associações empresariais algarvias na oposição ao projeto IKEA, “tem que se desmistificar junto dos Algarvios o que realmente significa este mega projeto e os perigos decorrentes para a economia e o emprego”.

“Os empresários algarvios nada têm contra uma simples loja IKEA que ‘não mete medo a ninguém’, opõe-se sim a um projeto comercial desmedido, que quer criar uma concentração comercial com a qual não conseguem de todo competir, mortal para uma parte significativa da economia regional”, conclui Victor Guerreiro.
 

 

Por: ACRAL