Cerca de metade dos trabalhadores portugueses tem apenas o ensino básico

10:01 - 30/12/2021 ATUALIDADE
A plataforma Brighter Future, disponibilizada gratuitamente pela Fundação José Neves, acaba de lançar cinco novos indicadores sobre o panorama laboral e formativo em Portugal, sob a forma de Insights.

Cerca de metade dos trabalhadores tem apenas o ensino básico

Os trabalhadores das empresas portuguesas estão mais envelhecidos e qualificados e cerca de metade ainda tem, no máximo, o ensino básico. A idade média dos trabalhadores do setor empresarial subiu de 38,7 anos em 2010 para os 39,8 em 2013 e para os 40,7 anos em 2019.

O fenómeno de sobrequalificação aumentou cerca de 5 pontos percentuais em 2019, quando comprado com 2010. Isto significa que cerca de 1 em cada 4 trabalhadores tem mais qualificações do que as necessárias para a sua profissão. Este valor aumentou nos trabalhadores de todas as faixas etárias e continua a ter uma associação negativa com a idade: quanto mais jovens, maior a percentagem de trabalhadores sobrequalificados.

Este fenómeno traduz-se numa enorme perda de retorno do investimento individual e nacional feito em educação, com consequente subaproveitamento e depreciação das competências recentemente adquiridas, limitando o potencial de progresso do talento nacional.

 

Mobilidade dos trabalhadores entre profissões cresce nos últimos anos

A mobilidade no emprego, nomeadamente a mobilidade entre diferentes profissões, é uma temática cada vez mais relevante no panorama de um mercado de trabalho em transformação. Cada vez mais, a capacidade dos trabalhadores para se adaptarem a novos contextos laborais e profissões é fundamental para manterem as suas perspetivas futuras de emprego e para progredirem nas suas carreiras profissionais.  

Cerca de 1 em cada 4 trabalhadores muda de profissão em dois anos, um valor que tem aumentado nos últimos anos e que parece acompanhar o ciclo económico. Entre 2017 e 2019, mais de 30% dos portugueses mudaram de profissão. Dos grupos profissionais que mais mobilidade apresentaram destacam-se: Especialista de redes informáticas, Auxiliar de enfermagem, Programador de aplicações, Pessoal de receção e de informação a clientes, entre outros.

Estas alterações são verificadas, maioritariamente, em profissões com salários médios mais baixos, que não exigem uma formação específica e com perspetivas de evolução da carreira mais escassas, ou em profissões que têm em comum uma forte componente tecnológica e cujo emprego aumentou substancialmente nos últimos anos.

No polo oposto, encontram-se profissões onde a transição para outras profissões é extremamente baixa, sendo a proporção de pessoas que mudaram de profissão entre 2017 e 2019 inferior a 4,5%. Entre elas destacam-se as seguintes: Piloto de aeronaves, Enfermeiro, Médico e Instrutor de condução. Estas profissões têm salários superiores à média, requerem qualificações elevadas e competências muito específicas, pelo que a possibilidade de progredir na carreira é mais limitada.

 

Salário médio volta a ser superior ao de 2010

Em 2019, o salário real médio foi, pela primeira vez, superior ao de 2010. Este aumento tem sido mais pronunciado entre os mais jovens e os menos qualificados.

O salário médio foi de 1146€. Tendo em conta a evolução da inflação, este é o valor mais elevado desde 2010. Depois da queda continuada dos salários reais entre 2010 e 2015 (redução de 5,4%) e da recuperação de 2016 em diante, 2019 foi o primeiro ano da última década onde o salário real médio foi superior ao de 2010. Ou seja, 2019 marca o ano em que pela primeira vez o salário médio foi superior ao salário registado no período anterior à crise financeira (+0,6%).

O crescimento do salário foi mais acentuado nas pessoas com um curso do pós-secundário (4,9%) e com mestrado (3,8%), e foi menor nas pessoas com licenciatura (1,3%) e ensino secundário (1,8%). O salário real médio dos doutorados caiu 0,5%.

 

Disparidade salarial entre géneros: homens ainda ganham 20% mais do que as mulheres

De acordo com a análise deste Insight, a disparidade salarial está em queda mas os homens continuam a ganhar mais do que as mulheres, independentemente da idade, do nível de escolaridade e da região de Portugal em que trabalhem.

Em 2019, os homens ganhavam em média cerca de 20% mais do que as mulheres em comparação com 2010, antes da crise financeira, em que esse valor era cerca de 25%.   

É nas faixas etárias mais elevadas que se registam as maiores reduções da disparidade salarial entre géneros em 2019 e face a 2010. Por exemplo, entre 2010 e 2019, a redução da disparidade salarial nos trabalhadores entre os 25 aos 34 anos não chegou a um ponto percentual. Já na faixa etária acima dos 54 anos, a disparidade salarial diminui 10 pontos percentuais – de 46% para 36%.

Comparando a disparidade salarial entre 2010 e 2019, a redução da vantagem salarial dos homens face às mulheres foi mais significativa na Região Autónoma da Madeira e no Alentejo e mais contida nas regiões Centro e Norte do país. Sendo na Área Metropolitana de Lisboa e na região Centro onde se verificam maiores diferenças.

 

Aumento de trabalhadores com um Curso Técnico Superior Profissional (CTeSP)

Os CTeSP são recentes mas há cada vez mais trabalhadores com este tipo de cursos. Em 2019, já eram mais de 1850 os diplomados destes cursos que se encontravam a trabalhar em empresas portuguesas. No entanto, estes diplomados ainda representam uma fatia bastante pequena do pessoal ao serviço em empresas (0,06%) e do pessoal ao serviço em empresas com mais do que o ensino secundário (0,27%).

Mais de metade dos empregados diplomadas com CTeSP encontravam-se, em 2019, a trabalhar na região Norte (30%) e na Área Metropolitana de Lisboa (28%). Face aos setores com maior expressão, os diplomados CTeSP encontram-se, maioritariamente, no comércio por grosso e a retalho (17%), Atividades de consultoria, científicas e técnicas (13%), Atividades de saúde humana e apoio social (13%), Atividades de informação e de comunicação (8%), Construção (7%) e Alojamento e restauração (5%).

É no grupo dos 25 aos 34 anos que mais compensa completar um CTeSP. Em 2019, o salário médio dos diplomados de CTeSP nesta faixa etária era de 1020€, um valor 8,4% acima do salário médio de uma pessoa com ensino secundário completo.

A plataforma Brighter Future é a maior base de conhecimento sobre Educação e Competências em Portugal, ao transformar dados em factos e informação relevante para que profissionais e estudantes possam tomar as melhores decisões para o futuro. No Brighter Future é possível pesquisar cursos do ensino superior por área de estudo, região, nível e tipo de ensino ou instituição; saber mais detalhes sobre cada profissão, desde as tarefas, aos salários médios ou nível de educação mais comum; e ainda explorar as competências mais relevantes em determinada profissão ou área.