Volta ao Algarve: Maio trouxe uma edição sem candidatos evidentes

09:28 - 03/05/2021 ALGARVE
A mudança de datas motivada pela covid-19 privou a 47.ª Volta ao Algarve da usual constelação de estrelas do ciclismo mundial, nomeadamente dos «voltistas» de referência, deixando a luta pela sucessão de Remco Evenepoel sem um favorito evidente.

Esta edição da ‘Algarvia’, originalmente agendada entre 17 e 21 de fevereiro, e que estará na estrada entre quarta-feira e domingo, prometia: o quatro vezes vencedor do Tour, Chris Froome, tinha escolhido a prova para estrear-se com as cores da Israel Start-Up Nation, Vincenzo Nibali, vencedor das três ‘grandes’, ia começar aí a sua temporada, havia 25 equipas inscritas, 14 das quais do WorldTour (agora, são metade) - a organização até foi ‘obrigada’ a rejeitar pedidos de convites internacionais.

Contudo, a pandemia, e o disparar do número de infetados e mortos em Portugal em janeiro, no pico da terceira vaga, trocou as voltas à mais prestigiada corrida nacional, ‘forçando’ a um adiamento para novas datas, pouco convenientes para a captação das principais estrelas do pelotão, ‘entretidas’ entre o rescaldo da Volta à Romandia – que terminou no domingo -, o início do Giro – no próximo domingo – ou os estágios (em altitude) de preparação para o Tour.

Assim, quando as bicicletas começarem a rolar em Lagos, na quarta-feira, entre os 175 ciclistas de 25 equipas não se vislumbrarão ‘voltistas’ com currículo nas três grandes Voltas, nem Remco Evenepoel, o prodígio belga que venceu a edição do ano passado, ainda antes de uma prolongada paragem do calendário velocipédico devido à pandemia, mas lá estará Sam Bennett, o irlandês que, em 2020, se afirmou como o melhor ‘sprinter’ do pelotão.

Vencedor da emblemática camisola verde (regularidade) - e de duas etapas - na Volta a França do ano passado, o ciclista da Deceuninck–QuickStep estará no Algarve para perpetuar a senda vitoriosa da equipa belga na prova nacional, fazendo-se acompanhar de Fabio Jakobsen, o holandês que em 2020 deu nas vistas ao conquistar a primeira etapa e a camisola por pontos da ‘Algarvia’, antes de sofrer uma violentíssima queda na Volta à Polónia.

Depois de ter regressado à estrada na Volta à Turquia, após oito meses de paragem e de várias cirurgias de reconstrução facial, Jakobsen dedicar-se-á a trabalhar para Bennett, uma missão que, presumivelmente, também será desempenhada pelos irmãos Ivo e Rui Oliveira, em nome do líder Rui Costa.

Eterno candidato ao triunfo na Volta ao Algarve, onde já foi terceiro classificado em 2014 e acumulou lugares entre os primeiros, o campeão mundial de fundo de 2013 vai liderar a UAE Emirates e tentar melhorar o quarto posto final da última edição, embora possa ‘acusar’ o desgaste da presença na Volta à Romandia, onde foi 13.º.

Numa edição teoricamente mais ‘aberta’, sem candidatos claros à geral final, os maiores adversários do mais experiente dos portugueses da UAE Emirates poderão ser o campeão dinamarquês, Kasper Asgreen (Deceuninck-QuickStep), e o alemão Lennard Kämna (Bora-Hansgrohe), que já venceu este ano na Volta à Catalunha, sem esquecer ainda o combativo Diego Rosa (Arkéa-Samsic), José Manuel Diáz (Delko), vencedor da recente Volta à Turquia, ou o INEOS Jhonatan Narváez.

Mas o ‘joker’ desta edição da única prova da categoria ProSeries disputada em Portugal poderá mesmo vir de uma das formações portuguesas, nomeadamente da W52-FC Porto, que vai alinhar com dois algarvios vencedores da Volta a Portugal: Amaro Antunes intrometeu-se na luta de titãs no ano passado, fechando o ‘top 10’, e João Rodrigues foi nono em 2019, atrás do seu atual colega de equipa, que nesse ano corria na CCC.

Conhecedores como ninguém da serra Algarvia, onde treinam habitualmente, os dois podem surpreender e alcançar algo que nenhum português consegue desde João Cabreira em 2006: vestir a amarela final.

 


Volta ao Algarve: O Malhão recupera a honra de coroar o vencedor

 

O alto do Malhão regressa para consagrar o vencedor da 47.ª Volta ao Algarve, que arranca na quarta-feira em Lagos e percorre 775,8 quilómetros, distribuídos por cinco etapas, para encontrar o sucessor do belga Remco Evenepoel.

Entre quarta-feira e domingo, o pelotão da ‘Algarvia’ vai enfrentar um percurso decalcado das edições anteriores, com dois finais talhados para ‘sprinters’, duas chegadas de montanha e ainda o já tradicional contrarrelógio individual em Lagoa, que este ano ‘cede’ a honra da consagração do vencedor àquele que é o palco de festas habitual (e preferencial) da mais importante prova disputada em território nacional.

Esta edição troca as voltas ao pelotão, que já estava acostumado a partir de Portimão, com a primeira etapa a terminar naquela cidade, depois de arrancar em Lagos e percorrer 189,5 quilómetros.

Portimão, que já não acolhia um final de etapa da prova desde 2012, ano em que Bradley Wiggins ali se impôs num contrarrelógio, meses antes de conquistar a Volta a França, testemunhará o primeiro momento alto desta ‘Algarvia’, um presumível frente a frente veloz entre o irlandês Sam Bennett (Deceuninck-QuickStep) e o alemão Pascal Ackermann (Bora-hansgrohe), os dois nomes mais sonantes deste pelotão.

A segunda tirada inicia-se na sempre ventosa Sagres e termina no ponto mais alto do Algarve, com a Fóia a coroar um percurso ondulado de 192,8 quilómetros, com um acumulado de subida de 4.100 metros e três contagens de montanha nos derradeiros 30 quilómetros.

A meta coincide com um prémio de montanha de primeira categoria, a subida de Monchique até à Fóia (7,5 quilómetros com 7,3% de inclinação média), à qual os ciclistas chegarão depois de terem passado pela Pomba (uma segunda categoria com 3,6 quilómetros e uma pendente média de 8,2%) e por Alferce (uma terceira categoria com 5,7 quilómetros a 6,2%).

A Fóia será a primeira oportunidade para os candidatos à camisola amarela se mostrarem, numa subida em que, nos últimos três anos, o vencedor de etapa viria também a conquistar a Volta: Michal Kwiatkowski, em 2018, Tadej Pogacar, em 2019, e Remco Evenepoel, em 2020.

O terceiro dia será novamente reservado aos ‘sprinters’, com o pelotão a partir de Faro e a percorrer o interior do Sotavento e a zona raiana do Algarve, antes de terminar no coração de Tavira, após os 203,1 quilómetros da etapa mais longa da 47.ª edição.

A quarta tirada trará o contrarrelógio de Lagoa, que terá o mesmo percurso, de 20,3 quilómetros, já percorrido nas três edições mais recentes da prova.

Mas, só no domingo, a geral da Volta ao Algarve ficará fechada, na quinta etapa, uma ligação de 170,1 quilómetros, entre Albufeira e o alto do Malhão, no concelho de Loulé, onde a meta coincide com um prémio de montanha de segunda categoria.

A última tirada tem um acumulado de subida de 3.280 metros e um final com uma sucessão de subidas exigentes, antes da escalada do Malhão (2,6 quilómetros com inclinação média de 9,2%): nos derradeiros 43 quilómetros, os corredores vão escalar Vermelhos (3,2 quilómetros a 5,9%), Ameixeiras (um quilómetro a 14%, a 32,2 km da meta) e Alte (2,1 quilómetros a 5%), antes do ponto mais alto de Loulé coroar o sucessor do prodígio belga.

 


Volta ao Algarve: Historial de vencedores

 

Vencedores da Volta ao Algarve em bicicleta, cuja 47.ª edição se disputa entre quarta-feira e domingo:

1936 Joaquim Fernandes, Por (Sporting)

(...)

1947 Serafim Paulo, Por (Lisgás)

(...)

1977 Belmiro Silva, Por (FC Porto)

1978 Joaquim Andrade, Por (Águias)

1979 Firmino Bernardino, Por (Lousa)

1980 Firmino Bernardino, Por (Lousa)

1981 Belmiro Silva, Por (FC Porto)

1982 Alexandre Ruas, Por (Lousa)

1983 Adelino Teixeira, Por (Lousa)

1984 Belmiro Silva, Por (Ovarense)

1985 Eduardo Correia, Por (Sporting)

1986 Manuel Cunha, Por (Lousa)

1987 Manuel Cunha, Por (Sicasal-Acral)

1988 Joaquim Gomes, Por (Louletano-Vale Lobo)

1989 Fernando Carvalho, Por (Louletano-Vale Lobo)

1990 Fernando Carvalho, Por (Philips)

1991 Joaquim Andrade, Por (Sicasal-Acral)

1992 Joaquim Gomes, Por (Recer-Boavista)

1993 Cássio Freitas, Por (Recer-Boavista)

1994 Vitor Gamito, Por (Sicasal)

1995 Cássio Freitas, Por (Recer-Boavista)

1996 Alberto Amaral, Por (Tróia-Marisco)

1997 Cândido Barbosa, Por (Maia-Cin)

1998 Thomas Konecny, Che (ZWZ Cycling)

1999 Melchior Mauri, Esp (Benfica)

2000 Alex Zülle, Sui (Banesto)

2001 Andrea Ferrigato, Ita (Alessio)

2002 Cândido Barbosa, Por (LA Pecol)

2003 Claus Moller, Ale (Milaneza-MSS)

2004 Floyd Landis, USA (US Postal)

2005 Hugo Sabido, Por (Paredes)

2006 João Cabreira, Por (Maia-Milaneza)

2007 Alessandro Petacchi, Ita (Milram)

2008 Stijn Devolder, Bel (QuickStep)

2009 Alberto Contador, Esp (Astana)

2010 Alberto Contador, Esp (Astana)

2011 Tony Martin, Ale (HTC-Highroad)

2012 Richie Porte, Aus (Sky)

2013 Tony Martin, Ale (Omega Pharma-Quickstep)

2014 Michal Kwiatkowski, Pol (Omega Pharma-Quickstep)

2015 Geraint Thomas, GB (Sky)

2016 Geraint Thomas, GB (Sky)

2017 Primoz Roglic, Slo (LottoNL-Jumbo)

2018 Michal Kwiatkowski, Pol (Sky)

2019 Tadej Pogacar, Slo (UAE Emirates)

2020 Remco Evenepoel, Bel (Deceuninck-QuickStep)

 

Por: Lusa