Exposição | Cão do Barrocal Algarvio

12:17 - 31/08/2014 ALGARVE
É já no próximo dia 31 de agosto a próxima Exposição do Cão do Barrocal Algarvio em Faro.

O evento vai decorrer no Parque das Figuras (frente ao Fórum Algarve), a partir das 10 horas. Criadores do Barrocal Algarvio, levarão cerca de 40 dos melhores exemplares, e poderá ser apreciada a destreza o porte e as diferentes cores que melhor representam esta raça autóctone.

A organização do certame está a cargo da AACCBA, Associação de Criadores do Cão do Barrocal Algarvio.

 

Em entrevista dada anteriormente a este meio de comunicação Rogério Teixeira, presidente da ACCBA comenta que o Cão do Barrocal Algarvio é uma espécie canina ainda por descobrir.

O cão do Barrocal Algarvio já foi uma raça sem nome e em vias de extinção. Atualmente, tem a seu lado a ACCBA – Associação de Criadores do Cão do Barrocal Algarvio, que contribui em grande escala para a sua identificação, recuperação e reconhecimento.

Rogério Teixeira, presidente da ACCBA, ajuda-nos a compreender um pouco melhor a história desta raça e o trabalho que tem sido desenvolvido em prol do seu crescimento.

 

 “A Voz do Algarve”Quando, como e porquê surgiu a Associação de Criadores do Cão do Barrocal Algarvio (ACCBA)?

Rogério Teixeira – Esta associação surgiu com a intenção de dar a conhecer a identidade do Cão do Barrocal Algarvio. Esta raça foi, ao longo de gerações, identificada por caçadores, e não só, como “cão abandeirado”, “fraldado”, “felpudo” ou “guedelhudo”, devido ao seu pelo macio e comprido e à forma da sua cauda, sem que lhe fosse dado um nome, uma identidade.

A partir dos anos 60 esta espécie começou a entrar em vias de extinção. O principal problema terá sido a forma indiscriminada como, desde essa altura, vários cruzamentos foram feitos, diminuindo em muito o número de exemplares que nos anos 50 se calculava em cerca de três mil e quinhentos. Foi com a intenção de contrariar essa tendência, e depois de algum tempo de amadurecimento da ideia, que foi criada ACCBA. Por essa altura, e para que fosse resolvida a questão da diversidade de denominações que o identificavam, decidiu-se que o Cão do Barrocal Algarvio seria o nome a adotar, porque identifica o cão, a faixa geográfica de onde procede, o Barrocal e a região a que pertence, o Algarve.

 

V. A. - Quais as medidas tomadas para contrariar a extinção deste espécie? Em quanto tempo será possível fazê-lo?

R.T. – O número de exemplares inicialmente era limitado, o trabalho intenso de procura para localizar mais animais por toda a região deu frutos o que tem permitido a realização do nosso trabalho.

Por outro lado, temos também a reprodução que contribui, de uma forma natural, para contrariar a extinção da espécie. A reprodução tem sido levada a cabo de uma forma muito criteriosa. Ou seja, é necessário evitar a consanguinidade, procurar evidenciar os aspetos característicos, como a cauda com o caracol e bandeira, o pelo comprido nas partes posteriores das pernas e base das orelhas e a cara “limpa”, ou seja, de pelo curto.

De resto, não excluímos, à partida, qualquer cor: amarelo, listado, castanho e branco, preto e branco, vários matizes podem surgir.

 

V.A.Quais os resultados obtidos até ao momento?

R.T. – Calculamos que o número de exemplares neste momento, rondará mais de mil. Além disso, desde há algum tempo que os membros da ACCBA oferecem cães para diversos pontos do país, pelo que podemos afirmar que os nossos cães se encontram disseminados por todo o território nacional.

 

V.A. – Qual a origem e as características de um Cão do Barrocal Algarvio?

R.T. – A origem do Cão do Barrocal Algarvio apontará provavelmente, a exemplo de outras raças conhecidas, para os tempos faraónicos nos quais se diz ter existido um galgo – o galgo egípcio – que foi difundido por toda a bacia mediterrânica, por fenícios e berberes.

Ao certo, sabe-se que conheceu grande prosperidade entre os habitantes do Algarve, sobretudo ao nível da sub-região do Barrocal, que apresenta características geofísicas sui generis.

A tradição oral, a única fonte que nos diz algo sobre a origem desta raça, aponta para épocas de muitas gerações atrás. Algumas dessas fontes relatam-nos informações cujo alcance temporal ultrapassa seguramente os duzentos anos. Possivelmente, terá resultado de cruzamentos bem-sucedidos entre vários tipos de cães. Não restam dúvidas que, ao longo de muitos anos, o homem do barrocal forjou um cão com temperamento próprio e perfeitamente adaptado e eficiente nos terrenos mais inóspitos, como é a sua região de origem, o barrocal algarvio, onde foi apurando o seu instinto caçador, com características que em termos de rapidez e objetividade lhe permitem transformar a espingarda num objeto de pouca utilidade. Em norma, o cão do barrocal chega antes do tiro.

Atualmente algumas matilhas do Algarve utilizam-no com grande sucesso na caça maior. É rápido, agressivo e um trabalhador incansável. Um cão com um passado sombrio e um futuro risonho.

 

V. A. – Quais as principais características morfológicas de um Cão do Barrocal Algarvio?

R.T. – Morfologicamente, as suas características são: cabeça bem levantada, leve e fina; olhos semi-oblíquos em forma de amêndoa, normalmente castanhos; orelhas eretas e pontiagudas em forma de pirâmide; altura média entre 40 cm e 55 cm; peso médio entre os 15 kg e os 25 kg, e pelo liso e médio, muito macio, sem sub-pêlo, sendo as cores mais frequentes o amarelo, o preto, o castanho, o branco unicolor e o malhado, que conjuga qualquer das cores anteriores.

 

V.A. – Para que tipo de atividade se adequa esta raça?

R.T. – O Cão do Barrocal Algarvio é um cão com temperamento próprio e perfeitamente adaptado e eficiente em todos os terrenos incluindo os mais hostis como é o caso do barrocal.

Era muito utilizado – e voltou a sê-lo – na caça ao coelho bravo. É curioso vê-lo “sapatear” quando pressente um coelho “entocado”, ou mais renitente em sair.

Outra das suas características tem a ver com o cobro, pois é algo que faz por instinto e com qualquer tipo de caça menor.

Na verdade, o Cão do Barrocal é um cão de caça por excelência, que não despreza qualquer desafio. Atualmente algumas matilhas do Algarve utilizam-no com grande sucesso na Caça Maior, porque é rápido, agressivo e um trabalhador incansável.

 

V.A. – Quem procura o Cão do Barrocal Algarvio?

R.T. – Temos sido abordados sobretudo por caçadores. Mas também por famílias e algumas pessoas que têm curiosidade em relação ao Cão. Lembro-me de uma senhora que nos contactou para adquirir um cão por o achar muito bonito e elegante.

 

V. A. – Qual a procura que existe?

R.T. – Temos alguma procura, essencialmente a nível nacional. No entanto, já existem alguns exemplares em França levados por um compatriota. Acreditamos que após o reconhecimento a procura se tornará mis intensa.

 

V.A. – Como e onde se pode adquirir um Cão do Barrocal? Qual o seu Custo?

R.T. – O nosso objetivo principal é divulgar a raça. Até este momento, ainda não comercializámos um único exemplar.

 

V. A. – Que cuidados se devem ter com esta espécie?

R.T. – O Cão do Barrocal Algarvio é um cão rústico. Como tal é extremamente resistente a qualquer adversidade climatérica ou orográfica; essa robustez permite-lhe caçar dias a fio, sempre com excelentes resultados.

 

Por: ND/VC