Nova aplicação de realidade aumentada conta histórias de peças no Museu de Loulé

15:20 - 26/09/2016 ALGARVE
Um conjunto de nove peças arqueológicas expostas no Museu Municipal de Loulé vão poder ser interpretadas através de uma aplicação de realidade aumentada desenvolvida pela Universidade do Algarve (UAlg), disse à Lusa o responsável pelo projeto.

A aplicação gratuita “Histórias Escondidas do Museu Municipal de Loulé”, para dispositivos móveis, faz reconstituições animadas das peças arqueológicas, através de modelos tridimensionais, para ajudar o visitante a perceber o contexto da sua utilização na época, explicou Mauro Figueiredo.

"Fizemos, por exemplo, a partir de uma pedra, a recriação de um tear da época romana para se perceber como funcionava em termos mecânicos", observou o professor de Informática, sublinhando que, assim, se torna "muito mais fácil" a interpretação, "de forma interativa e dinâmica", de como eram produzidos os tecidos à época.

A recriação tridimensional do processo de fabrico de farinha para fazer o pão, no Neolítico, do uso de lucernas e ânforas ou do lacre, produto mais recente, usado para selar cartas, são outros exemplos de reconstituições que podem ser visualizadas através da aplicação, acrescentou o docente do Instituto Superior de Engenharia da UAlg.

Segundo Mauro Figueiredo, a diferença entre a realidade virtual e a realidade aumentada é que a primeira "cria um mundo que substitui o real", enquanto a segunda, popularizada recentemente com o jogo "Pokémon Go" complementa o mundo real "com informação que é sobreposta computacionalmente".

Para o conjunto das nove peças arqueológicas, cuja datação se situa entre o período do Neolítico e o século XVI, foram feitas animações tridimensionais, ao abrigo de uma parceria entre a Câmara de Loulé e a UAlg que se iniciou há um ano.

Além da vertente de realidade aumentada, que só pode ser vivida durante visitas ao museu, a aplicação inclui ainda o Jogo do Moinho, originário do Oriente, mas que se tornou muito popular na Europa Medieval.

Segundo Mauro Figueiredo, este jogo de tabuleiro para duas pessoas foi agora recuperado e está disponível ao público em geral através da mesma aplicação, disponível para os sistemas operativos Android e iOS.

O docente e investigador referiu que este projeto é inovador, quer a nível nacional, quer internacional, uma vez que nos museus o que existe normalmente é a interpretação de peças através de códigos de resposta rápida (QR Code), que apresenta texto ou imagem.

Este projeto é o resultado de um trabalho de investigação que Mauro Figueiredo está a conduzir desde há quatro anos, na área da realidade aumentada.

 

Por: Lusa