Suspensão de pesquisa de gás natural no Algarve é «excelente»

17:33 - 12/08/2016 ALGARVE
O Movimento Futuro Limpo, que se opõe à prospeção e exploração de petróleo, qualificou hoje como «excelente notícia» a decisão da empresa espanhola Repsol de suspender uma prospeção de gás natural ao largo do Algarve.

“O movimento Futuro Limpo congratula-se com a decisão da Repsol de suspender o furo de prospeção de gás natural ao largo do Algarve. Depois da decisão da Galp de suspender as pesquisas ao largo da Costa Alentejana, consideramos esta uma excelente notícia para o futuro sustentável do nosso país”, pode ler-se num comunicado divulgado hoje pelo recém-criado movimento.

O Movimento Futuro Limpo surgiu em julho com base num manifesto subscrito por cerca de uma centena de personalidades e artistas, tem por objetivo a sensibilização da opinião pública para a necessidade de suspender os contratos de prospeção e exploração de hidrocarbonetos previstos para Portugal e reagiu assim às notícias que dão conta do adiamento, pelo consórcio Repsol/Partex, das pesquisas previstas para 40 quilómetros ao largo de Tavira.

“Na realidade, as duas explorações programadas para este ano ficaram suspensas, criando-se um horizonte temporal para que o nosso movimento, bem como todos os restantes que lutam incansavelmente pelo cancelamento dos contratos de prospeção e exploração de petróleo e gás no nosso país, possam continuar o seu trabalho de esclarecimento e informação contra a exploração destas fontes energéticas”, considerou o Futuro Limpo.

A exploração de hidrocarbonetos representa “o modelo errado para o desenvolvimento sustentável” de Portugal, defendeu o movimento, sublinhando que o país conta com “uma das maiores exposições solares de toda a Europa”, com “um acesso privilegiado às múltiplas fontes de energias renováveis” e “um vasto conhecimento e capacidade tecnológica” que permite “apostar num Futuro Limpo”.

“Continuamos a afirmar que é essencial o cancelamento dos 15 contratos celebrados entre o Estado Português e as companhias petrolíferas, contratos esses com inúmeras falhas jurídicas, feitos sem a participação das populações e da sociedade civil, sem estudos de impacte ambiental e com contrapartidas financeiras ridículas para o Estado Português”, criticou o movimento.

A Zero – Associação do Sistema Terrestre Sustentável também defendeu hoje que o Governo tem todas as condições para terminar os contratos de exploração de petróleo, na costa portuguesa, após o adiamento do furo de pesquisa da Repsol/Partex.

"O Governo deve usar esta oportunidade para definitivamente, e em linha com o desenvolvimento de uma economia assente no uso de energias renováveis e de baixo carbono, terminar todos os contratos em vigor", salientou a Zero.

Depois do adiamento do furo de prospeção por parte do consórcio ENI/Galp, no final de julho, a Zero congratulou-se também com a decisão no mesmo sentido anunciada pelo consórcio Repsol/Partex, para o projeto a cerca de 40 quilómetros frente a Tavira.

 

Por: Lusa