A Associação Recreativa e Cultural de Músicos (ARCM) considerou hoje uma boa notícia o anúncio de uma nova sede feito na segunda-feira pelo presidente da Câmara de Faro, esperando que a solução corresponda às suas necessidades.
“Para nós, é uma boa notícia, porque estamos num lugar que não tem condições e que sabíamos ser provisório desde que ali nos instalámos”, disse à Lusa Cláudia Sil, secretária da associação sediada há mais de uma década na Fábrica da Cerveja, um edifício degradado e com problemas de segurança situado na malha do antigo castelo da capital de distrito algarvia.
Durante o seu discurso no feriado municipal, o presidente da Câmara de Faro, António Pina, anunciou que está a preparar uma proposta para arrendar um espaço na Estrada do Passeio Ribeirinho, a sul da linha ferroviária e perto do Teatro das Figuras.
Nesse imóvel, revelou António Pina na segunda-feira, será criado o Margem – Centro Cultural e Criativo, “um espaço multifacetado, dinâmico e plural” que acolherá a Associação de Músicos e outras associações.
O presidente da Câmara de Faro frisou que a associação poderá “realizar eventos ou ter condições de trabalho”, criando-se a possibilidade de “estabelecer sinergias que potenciem a atividade de todos”.
O autarca, eleito pelo PS, salientou ainda que a Fábrica da Cerveja “não tem condições para acolher a ARCM nem qualquer outro evento com segurança” no interior do imóvel, frisando que a autarquia não quer ser responsável “por nenhum incidente que possa ali acontecer”.
A Associação de Músicos está instalada de forma provisória desde 2014, sob regime de comodato, na Fábrica da Cerveja, espaço que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil recomendou encerrar “por falta de licenciamento”, disse António Pina à Lusa em maio.
Na ocasião, foi criado o Movimento Pela Fábrica, que perante rumores de venda do edifício a privados defendeu a necessidade de manter a antiga Fábrica da Cerveja “ao serviço da cultura”.
A secretária da ARCM afirmou à Lusa que a associação conhece apenas a intenção anunciada esta semana pelo município, na sequência de duas reuniões com o atual executivo, eleito em outubro de 2025.
“Apresentámos as nossas necessidades e foi-nos sempre prometido que iriam estudar uma alternativa. Este anúncio não foi exatamente uma surpresa, mas por enquanto ainda não nos diz respeito, porque tem de ser aprovado pelos órgãos municipais. Esperamos que corresponda às nossas necessidades”, vincou Cláudia Sil.
A Associação de Músicos pretende que a nova sede contemple salas de ensaio para bandas, salas de formação para a escola de música moderna que movimenta cerca de 100 alunos, uma área de espetáculos e áreas conexas, apontou.
O objetivo passa por reforçar “a formação musical, a oferta musical e cultural de qualidade e a promoção e apoio à criação cultural”, com a perspetiva de garantir a certificação de entidade formadora e candidatar-se aos apoios da Direção-Geral das Artes, o que na atual sede é inexequível.
“Aquela localização fica numa zona que já se sabe que vai ter uma lógica de promoção da cultura e de sinergias, junto ao Teatro das Figuras, e isso faz todo o sentido. Esperemos que seja tudo aprovado o mais rápido possível, porque para nós já são 12 anos de urgência”, concluiu a dirigente associativa.
Lusa