A vila de Salir, no interior do concelho de Loulé, encerrou ontem a edição de 2026 do Salir no Tempo, consolidando-se como uma das maiores referências nacionais na recriação histórica.
A pacata localidade da serra algarvia transformou-se num autêntico cenário da Lusitânia Romana, atraindo muitos visitantes que vieram assistir a uma programação diversificada, saborear uma gastronomia inspirada na época e experienciar dinâmicas imersivas.
Dedicada este ano à época romana, a organização faz um balanço positivo, numa edição marcada por uma forte afluência de público, um ambiente de enorme animação e o cumprimento dos objetivos de afirmação territorial e dinamização da economia local.
Ao longo dos dias 17, 18 e 19 de julho, os visitantes foram convidados a recuar quase dois mil anos para vivenciar o quotidiano e a prosperidade da antiga comunidade rural da Villa romana da Torrinha. O evento contou com mais de 200 espetáculos e momentos de animação itinerante, mobilizando uma centena de figurantes que deram vida a combates de gladiadores, corrida de bigas, teatralizações, estátuas vivas e dança da época. A forte adesão estendeu-se também às tasquinhas do recinto, onde a gastronomia romana - baseada em iguarias como carne de caça, cidra, hidromel, conservas, pão e azeitonas - fez as delícias dos presentes.
Espaços icónicos do período romano como o Coliseu ou o Panteão dos Deus, um Mercado Romano ou ainda áreas com um carácter pedagógico, como o Spatium Tormentas em que as réplicas de instrumentos históricos transformaram-se numa experiência interativa e divertida, em que miúdos e graúdos puderam descobrir mais sobre a justiça e o quotidiano da Roma Antiga, trouxeram a Salir a essência de um período épico da História da Humanidade.
A instalação de uma arena para as lendárias corridas de bigas e demonstrações equestres foi o ponto alto do entretenimento com o Circus Maximus. Mais do que um espetáculo visual, esta iniciativa traduziu-se num elemento de valorização patrimonial sem precedentes no panorama nacional.
Por outro lado, na Tenda das Termas Romanas, espaço dedicado ao culto do bem-estar e do cuidado do corpo, o público ficou a conhecer os hábitos e costumes quotidianos de Roma Antiga e teve a oportunidade de experienciar essa vivência.
Outra das novidades foi o espetáculo “O Tesouro da Villa”, uma narrativa teatralizada inspirada nos achados arqueológicos locais, que interligou a riqueza da Torrinha, a cerâmica fina (terra sigillata) e a produção de azeite, promovendo uma conexão com a história real da freguesia.
O sucesso do Salir no Tempo 2026 espelha a estratégia de descentralização cultural promovida pelo Município de Loulé. Inserido num território com a chancela da UNESCO (Geoparque Algarvensis) e no ano em que se prepara a candidatura a Cidade Portuguesa da Cultura 2028, o evento funcionou como um polo dinamizador crucial.
Para Telmo Pinto, presidente da Câmara Municipal de Loulé, o balanço reforça o evento como uma “afirmação viva da identidade, da cultura e do legado histórico do interior do concelho”. A iniciativa provou ser capaz de honrar as raízes locais e, simultaneamente, posicionar Salir como um polo de atração turística diferenciador, gerando um impacto direto e imediato na economia local e no comércio da região.
O Salir no Tempo despediu-se de 2026 com a promessa cumprida de criar memórias inesquecíveis para toda a família e de projetar o interior algarvio como um território de excelência cultural.
CM Loulé