Euribor a 12 meses desceu ligeiramente em junho. Incerteza na resolução do conflito no Médio Oriente mexe com taxas.
Os avanços e recuos relacionados com a resolução do conflito no Médio Oriente têm influenciado a confiança dos mercados financeiros e, por conseguinte, a flutuação da Euribor. Em junho, observou-se que as taxas Euribor nos prazos mais curtos voltaram a crescer, enquanto o indexante no prazo mais longo desceu ligeiramente. Estas variações acabam por ter impacto nos novos créditos habitação a taxa variável que tendem a ficar mais caros se forem contratados com Euribor a 3 ou a 6 meses. Nos empréstimos da casa existentes podem ser esperadas revisões das prestações indexadas a taxas bem mais elevadas.
As taxas Euribor têm vindo a subir nos últimos meses impulsionadas pela incerteza gerada nos mercados financeiros pelo conflito no Médio Oriente. E já estavam a antecipar o agravamento da política monetária decidido pelo Banco Central Europeu (BCE) no passado dia 11 de junho – as taxas de juro diretoras subiram 25 pontos base para fazer frente à inflação na zona euro que se afastou do seu objetivo de 2%, passando a rondar os 3% em abril e maio por efeito do aumento dos preços da energia gerado pela guerra.
O mês de junho foi marcado por avanços na resolução do conflito ao ter sido assinado o memorando de entendimento entre os EUA e o Irão, que estipulou um calendário de 60 dias para chegar a acordo definitivo. Acontece que, apesar das negociações em curso, têm-se observados novos ataques, continuando a trazer incerteza aos mercados financeiros de que o conflito está mesmo perto de ser resolvido.
Foi neste contexto de impasse que as taxas médias mensais da Euribor a curto prazo voltaram a crescer em junho, enquanto a Euribor a 12 meses recuou ligeiramente:
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Euribor a 12 meses: fixou-se em 2,798% em junho de 2026, menos 0,006 pontos percentuais (p.p.) em comparação a maio;
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Euribor a 6 meses: média mensal subiu para 2,596%, mais 0,06 p.p. do que no mês anterior;
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Euribor a 3 meses: subiu para 2,339% em junho, uma subida mensal de 0,113 p.p., a mais expressiva entre os três prazos.
Novos créditos habitação: prestações só sobem com a Euribor a prazos curtos
A evolução das taxas Euribor em junho de 2026 vai influenciar os créditos para comprar casa a taxa variável contratados este mês. Enquanto os empréstimos indexados aos prazos mais curtos vão ficar mais caros, os créditos contratados com Euribor a 12 meses não vão sentir alterações de preços face ao mês anterior.
É o que mostram as simulações do idealista/créditohabitação, que têm em conta um empréstimo da casa a taxa variável contratado em julho de 2026 (que usa a média mensal da Euribor de junho) no valor de 150.000 euros, com spread 1% e prazo de 30 anos:
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Euribor a 12 meses: a prestação da casa será de 698 euros nos doze meses começados em julho de 2026, exatamente o mesmo valor face a um empréstimo contratado no mês anterior;
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Euribor a 6 meses: a prestação da casa a pagar em julho e nos cinco meses seguintes será de 681 euros, mais cinco euros do que quem contratou o crédito em junho;
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Euribor a 3 meses: a prestação da casa será de 660 euros nos primeiros três meses do contrato, mais seis euros face ao mês anterior.
Créditos habitação existentes: prestações revistas em alta em julho
Cerca de metade dos empréstimos habitação existentes no país são contratados a taxa variável, de acordo com os dados do Banco de Portugal. Isto significa que as flutuações da Euribor vão, mais cedo ou mais tarde, tocar os bolsos destas famílias. Quem tem revisões das prestações da casa agendadas para julho, deve preparar-se para pagar mais.
No caso da Euribor a 12 meses, a prestação da casa será revista em julho tendo em conta uma taxa de 2,798%, bem mais alta da registada um ano antes (2,081%). No caso dos contratos indexados à Euribor a 6 meses – que representa quase 40% do stock a taxa variável - o potencial aumento da prestação da casa é bem expressivo tendo em conta que a taxa passou de 2,139% para 2,596% em apenas num semestre.
Importa lembrar que a dimensão do agravamento das prestações da casa depende também do montante em dívida, do prazo do contrato e de outras condições. E ainda que há formas de tentar aliviar esta pressão adicional sobre o orçamento familiar, renegociando o crédito, pedindo uma revisão do spread, mudar para taxa mista ou até transferir o crédito habitação para outro banco com melhores condições.
Idealista News