Funchal, Faro e Lisboa concentram os maiores esforços financeiros para arrendar e comprar casa, mostra idealista.
Arrendar ou comprar casa em Portugal continua a consumir grande parte do rendimento das famílias, refletindo a dificuldade atual no acesso à habitação. A mais recente análise do idealista revela que as rendas das casas mantêm um peso maior sobre os salários do que as prestações da casa no caso da compra com crédito habitação. Em concreto, a taxa de esforço para arrendar casa situou-se em 80% no quarto trimestre de 2025, enquanto na compra ficou em 70%, segundo uma análise do idealista. Apenas algumas cidades apresentam condições menos pressionadas, mostrando que o mercado imobiliário nacional permanece desafiante para conseguir uma habitação acessível para a maioria dos agregados.
Arrendar casa consome mais de 50% do salário em 11 cidades
Das 20 grandes cidades analisadas, as famílias continuam a enfrentar maiores dificuldades para arrendar casa no Funchal, onde a taxa de esforço atinge 93% do rendimento familiar, seguindo-se Faro (90%) e Lisboa (84%).
Com níveis de taxas de esforço no arrendamento habitacional também elevados surgem ainda o Porto (69%), Setúbal (67%), Ponta Delgada (58%), Braga (57%), Aveiro (55%), Viana do Castelo (55%), Évora (52%), Santarém (52%), Leiria (50%), Coimbra (45%), Vila Real (43%) e Viseu (42%), revela a análise do idealista, o portal imobiliário líder no sul da Europa.
Por outro lado, as rendas pesam menos no rendimento das famílias em Bragança (39%), Beja (37%) e Castelo Branco (36%). As únicas cidades com taxas de esforço no arrendamento próximas do limite recomendado de 33% são Portalegre (34%) e Guarda (34%), mantendo-se como os mercados relativamente mais acessíveis para arrendar casa.
Comprar casa: 6 grandes cidades têm esforço inferior ao recomendado
Comprar casa em Portugal continua a exigir uma percentagem muito elevada do rendimento das famílias em várias capitais de distrito (ou de regiões autónomas). Das 20 cidades analisadas, Lisboa é onde a compra de habitação representa o maior esforço financeiro, com uma taxa de esforço de 113%, seguida do Funchal (102%). Nestas cidades, o salário líquido das famílias não chega para pagar a prestação da casa.
Com níveis também elevados no esforço de comprar casa com crédito habitação estão também cidades como Faro (97%), Aveiro (77%), Porto (72%), Ponta Delgada (65%), Braga (62%), Viana do Castelo (60%), Setúbal (58%), Leiria (58%), Coimbra (54%), Évora (45%), Santarém (45%) e Viseu (41%). Portanto, na maioria destas cidades, a compra de casa continua acima dos níveis considerados sustentáveis.
Por outro lado, seis capitais de distrito apresentam taxas de esforço na compra de casa iguais ou inferiores ao limite recomendado de 33%. É o caso da Guarda (18%), Portalegre (21%), Castelo Branco (22%), Beja (26%), Bragança (27%) e Vila Real (31%), que se mantêm como os mercados relativamente mais acessíveis para adquirir habitação.
Metodologia
A taxa de esforço é um indicador que mede o impacto do custo da habitação no poder de compra do agregado familiar. No caso do arrendamento, calcula-se a taxa de esforço como a percentagem anual do rendimento líquido médio do agregado familiar destinada ao pagamento do arrendamento de uma casa. Os valores de arrendamento são obtidos diretamente da fonte de dados do idealista, que disponibiliza preços para cada cidade. Por sua vez, os dados do rendimento líquido familiar são fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
No caso da compra de habitação, a taxa de esforço é calculada como a percentagem anual do rendimento líquido do agregado familiar destinada ao pagamento de um crédito habitação que segue características médias em termos de duração e taxa de juro. Recentemente, devido à descida nas taxas de juro, procedeu-se a uma atualização do cálculo com base nos dados publicados pelo Banco Central Europeu (BCE).
Idealista News