Cerca de 1.200 pessoas de várias regiões de Portugal continental encontram-se deslocadas das suas habitações como «medida preventiva» devido aos efeitos do mau tempo, sobretudo inundações, revelou a Proteção Civil, contabilizando 12.477 ocorrências desde 01 de fevereiro.
Num ponto de situação pelas 19:00, em conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, o comandante Mário Silvestre disse que há um total de 1.272 pessoas retiradas de casa na sequência das condições atmosféricas adversas, segundo dados reportados até às 18:00.
Os casos de pessoas deslocadas, que tiveram de sair das casas como “medida preventiva”, concentram-se na região Centro, nomeadamente Beira Baixa, Coimbra e Leiria, na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde se destaca Almada, Peniche, Tomar, Torres Vedras, Óbidos, Lourinhã e Loures, no distrito de Beja, com Mértola e Vidigueira, e no Algarve, sobretudo em Vila Real de Santo António, de acordo com dados da Proteção Civil.
Em termos de zonas inundadas, o comandante nacional da ANEPC realçou Coimbra, Leiria, Beira Baixa, Beiras e Serra da Estrela, na região Centro; Grande Lisboa, Oeste, Lezíria do Tejo e Médio Tejo, na região de Lisboa e Vale do Tejo; Mértola, Odemira, Vidigueira e Ourique, na região do Alentejo; e Castro Marim, Lagoa, Portimão e Alcoutim, na região do Algarve.
Até ao momento, encontram-se ativados 11 planos distritais de emergência e proteção civil, entre os 18 distritos de Portugal continental, bem como “125 planos municipais e 19 declarações de situação de alerta decretadas pelos próprios municípios”, revelou Mário Silvestre.
O responsável da ANEPC disse ainda que o plano de especial de cheias para bacia do Tejo “continua no seu nível máximo, o nível vermelho”.
Desde 01 de fevereiro e até às 18:00 de hoje, a Proteção Civil contabiliza um total de 12.477 ocorrências, que mobilizaram 43.617 operacionais e 17.317 meios terrestres e meios aquáticos.
Relativamente à tipologia das ocorrências, o comandante nacional destacou a queda de árvores, em que se continua a registar “um forte impacto”, avisando que a população deve ter cuidado nas zonas mais arborizadas, inclusive não estacionar veículos e não permanecer nessas zonas.
Ao risco de queda de árvores, que “é bastante significativo”, junta-se “o risco inerente à movimentação de massas, ou seja, à derrocada dos terrenos por via daquilo que tem sido a enorme precipitação”, alertou, reforçando que “os solos estão extremamente fragilizados com a precipitação e esses movimentos de massa poderão causar danos significativos, como tem acontecido um pouco por todo o país”.
Questionado sobre vítimas do mau tempo, o comandante nacional da Proteção Civil disse que estão contabilizados oficialmente 13 mortes, em que o óbito foi declarado no local, escusando-se a revelar números sobre feridos por serem dados “muito voláteis, permanentemente em atualização” por parte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Lusa