Exposição «Eclipse» de Diogo Evangelista inaugura a 16 de janeiro e abre o ano de atividades na Alfaia, em Loulé

20:07 - 12/01/2026 LOULÉ
Artista apresenta obra inédita, criada para esta exposição

“Eclipse” de Diogo Evangelista

Curadoria: Leonor Lloret

16 de janeiro a 14 de março de 2026

Alfaia – Associação Cultural

Rua Brites de Almeida, 18 - 8100/679 Loulé

 

A Alfaia – Associação Cultural, em Loulé, inicia o seu extenso programa de 2026 na área das artes visuais com “Eclipse”, de Diogo Evangelista, uma exposição com curadoria de Leonor Lloret. Concebida especificamente para o espaço da Alfaia, a exposição, que inaugura no próximo dia 16 de janeiro, apresenta uma obra original, criada pelo artista para esta ocasião.

“Eclipse, toma como ponto de partida um fenómeno astronómico raro e profundamente simbólico. A exposição, acontece no início de um ano em que será possível observar, a 12 de agosto, um eclipse solar total, um acontecimento excecional, tendo em conta que o último eclipse total visível em solo português ocorreu em 1916 e que o próximo apenas terá lugar em 2144. Este intervalo temporal extremo, convoca uma reflexão sobre a suspensão, a expectativa e a transformação da perceção.

 

“Gelo repentino. Silêncio diferente de todos os outros silêncios.

Luz térrea diferente de todas as outras luzes.

E depois o escuro. Imobilidade total.

Tudo aquilo em que consigo chegar a pensar é que durante o eclipse provavelmente se cerram os sentimentos.”

Michelangelo Antonioni, 1962, Firenze

 

É nesta imobilidade — onde o contorno das coisas se difumina (esfuma/esbate) e a sombra ganha presença, como mutação de um mundo interior — que Diogo Evangelista evoca o eclipse. Pensando o espaço específico da Alfaia, a partir da luz solar intensa que define o Algarve, o artista convida o público a habitar este fenómeno, tanto na sua dimensão astronómica, como na sua condição simbólica de suspensão provisória da certeza.

A obra desdobra-se como uma sombra intangível: uma imagem em movimento que transborda do seu suporte físico, para se expandir no tempo de quem a observa. No ponto em que o espaço se densifica e a distância se torna sensível, propõe-se um exercício de cegueira deliberada — já presente no trabalho de Evangelista — que nos permite perceber uma outra forma de luz: aquela que só se manifesta quando o mundo, por um instante, decide apagar-se.

 

Sobre o artista

Diogo Evangelista (1984, Lisboa) é artista visual, formado em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e pela Accademia di Belle Arti di Torino. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian (2018), tutor na pós-graduação em Novos Media da Universidade Católica (2019–20) e cofundador do artist-run-space Parkour (Lisboa). Realizou residências artísticas na Cripta747 (Turim), Budapest Gallery, EspaiCultural Caja Madrid e Galeria Zé dos Bois. O seu trabalho tem sido apresentado em instituições como a Fosun Foundation (Xangai), Museu de Serralves (Porto), CAC — Contemporary Art Centre (Vilnius), MNAC (Lisboa), MAAT (Lisboa) e Centro Cultural de Belém / MAC (Lisboa), tendo ainda participado na 11.ª Bienal de Gwangju.

Com “Eclipse”, a Alfaia inaugura um ano de programação dedicado à experimentação, ao pensamento crítico e à relação entre arte, espaço, perceção e performatividade, afirmando-se como um lugar de encontro entre práticas contemporâneas e o contexto singular do território algarvio.

A exposição, que pode ser visitada até ao dia 14 de março, tem entrada livre.

 

Alfaia