Terça, 14 de Agosto de 2018 |
BEZEGOL Cuca Roseta
FESTA DA ESPIGA 2018: TRÊS DIAS DE MÚSICA E TRADIÇÕES EM SALIR

10:02 - 05/05/2018     995 visualizações LOULÉ
Atualizado em: 10/05/2018
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Toy, Cuca Roseta e Bezegol integram cartaz

Nos dias 10, 11 e 12 de maio, a vila de Salir recebe mais uma edição da Festa da Espiga, evento que encerra todas as tradições da serra algarvia e que constitui um dos mais importantes cartazes turísticos do interior. Este ano, o evento volta a apostar na música e tem como cabeças-de-cartaz Toy, Cuca Roseta e Bezegol&Rude Bowy Banda.

A Quinta-Feira da Espiga – data em que se celebra também o Dia do Município de Loulé – é o momento alto das festividades, com o tradicional desfile etnográfico, mas durante três dias são muitas as propostas, seja em termos musicais, de folclore, gastronomia ou artesanato, para quem visita Salir à procura do Algarve genuíno.

No Dia da Espiga, 10 de maio, momento em que a população vai para os campos apanhar a tradicional espiga, a partir das 9h00, Salir é palco de um Passeio BTT e de um Passeio Pedestre “Trilhos da Espiga”, que irão permitir aos participantes um contacto com o património ambiental e as belezas naturais da Serra do Caldeirão.

A abertura das Tasquinhas com manjares e petiscos serranos acontece às 13h00, seguindo-se a abertura das exposições de produtos regionais e a atuação do grupo Artesãos da Música.

Às 16h00, acontece o momento mais esperado: o desfile etnográfico em representação das principais atividades agrícolas e artesanais desta freguesia, algumas delas em vias de extinção, desde as sementeiras, mondas, ceifas, debulhas, fabricação de pão, apanha do medronho e destilação, apicultura e extração de cortiça, o varejo do figo, amêndoa e alfarroba, artesanato de linho, lã, palma, esparto, cestaria de verga. Durante o desfile, os “poetas” populares irão declamar poemas ou quadras feitos de improviso ou preparados, em registo de mensagem em tom de brincadeira aos responsáveis municipais, para pedir ou agradecer as obras feitas na terra.

Neste momento participam também o Rancho Folclórico “As Mondadeiras das Barrosas” e o Grupo Etnográfico da Serra do Caldeirão (Cortelha).

Às 21h00 há baile com Rui Soares&Lau e, pelas 23h00, sobe ao palco Toy, um dos mais importantes nomes da música popular em Portugal.

No dia 11 de maio, sexta-feira, a Festa da Espiga é dedicada aos seniores com uma tarde plena de animação.

A versão noturna do tradicional desfile etnográfico acontece nesta sexta-feira, a partir das 20h30, seguindo-se uma Grande Noite de Fado, com Filipa Nobre, o projeto “Amália Sempre” que reúne várias vozes do Fado na região, e Cuca Roseta, um dos maiores nomes da nova vanguarda de fadistas. A noite encerra com a animação do baile tradicional com Gonçalo Tardão.

O último dia de festividades, sábado, 12 de maio, será mais direcionado para os mais novos, com um dia preenchido por atividades para as crianças e jovens: III Torneio de Futebol “Os Espiguinhas” e a Tarde das Espiguinhas.

Como tem sido tónica nos últimos anos, a Festa da Espiga encerra com as sonoridades da música moderna portuguesa. Para este ano as propostas são Bezegol&Rude Bowy Banda, artista que, com um timbre rouco inconfundível, é hoje um dos grandes “poetas urbanos” do panorama musical nacional; Throes+The Shine, que levam ao palco a energia eletrizante da fusão singular do kuduro com o rock; e Riot (DJ7) que, sem limite de géneros  ou estilos, apresenta nas suas atuações todas as mais recentes sonoridades da Música de Dança atual.

Refira-se que todas iniciativas da Festa da Espiga têm entrada livre.

O programa completo em www.cm-loule.pt

 

José Viegas Gregório, o mentor da Festa da Espiga

 

Segundo o calendário litúrgico, na Quinta-Feira da Ascensão comemora-se a ascensão de Jesus Cristo ao Céu, encerrando um ciclo de quarenta dias após a Páscoa. Mas neste dia celebra-se igualmente o Dia da Espiga ou Quinta-Feira da Espiga. Sobretudo no Sul do País é tradição as pessoas irem para os campos apanhar a espiga de trigo e outras flores silvestres, fazendo ramos simbólicos da fecundidade da terra e da alegria de viver; algumas espigas, geralmente de trigo, simbolizam a abundância, as papoilas, rosas, margaridas e malmequeres a beleza e o ramo de oliveira a paz. Este ramo, em número de combinações variáveis conforme as localidades, pendura-se dentro de casa e aí se conserva durante um ano, até ser substituído pela “espiga” do ano seguinte.

Salir, uma das mais típicas freguesias rurais do Concelho de Loulé, faz da Festa da Espiga um dos principais cartazes turísticos e etnográficos da região algarvia.

A Festa Espiga em Salir teve início no dia 23 de maio de 1968, organizada pela Junta de Freguesia, mais propriamente pelo presidente de então, José Viegas Gregório, figura carismática e um grande impulsionador da sua terra natal. O sucesso da primeira edição, à qual presidiram o Governador Civil de Faro, Romão Duarte, e o presidente da Câmara Municipal de Loulé da altura, Eduardo Pinto, ultrapassou todas as expectativas da organização.

Desde então, Salir tem feito do Dia da Espiga um grande acontecimento regional, recebendo milhares de forasteiros que aqui se deslocam para apreciar o artesanato, a gastronomia, o folclore, a etnografia, a poesia e tudo o que há de mais genuíno no interior rural do Algarve. A importância que este evento alcançou como cartaz turístico do interior algarvio foi tal que a Câmara Municipal de Loulé mudou para este dia o seu feriado municipal.

Em Salir o Dia da Espiga, que de certa forma marca o início da época das colheitas, assume uma importância especial, uma vez que se aproveita esta data para levar até ao grande público as manifestações tradicionais mais características desta freguesia rural. Os intervenientes neste espetáculo ímpar no país preparam com certa antecedência os seus carros e durante o desfile vão oferecendo alguns dos produtos que transportam.

O cortejo etnográfico que desfila ao longo da principal rua da vila representa toda a atividade agrícola e artesanal da freguesia, em parte que se encontra em vias de extinção, desde as sementeiras, mondas, ceifas, debulhas, fabricação de pão, apanha do medronho e destilação, apicultura e extração de cortiça, o varejo do figo, amêndoa e alfarroba, artesanato de linho, lã, palma, esparto, cestaria de verga.

Para além disso há ainda a exibição de poetas populares declamando os seus poemas feitos de improviso e uma vasta exposição de maquinaria agrícola das diversas marcas existentes no mercado.

Uma das particularidades da Festa da Espiga é que a população tem ainda a possibilidade de deixar uma mensagem, em forma de poema ou quadra preparada ou apenas de improviso, às entidades governativas presentes, para pedir ou agradecer as obras feitas na terra. Aliás, os executivos da Câmara Municipal de Loulé aproveitam este dia para inaugurar uma estrada, uma escola, uma obra de saneamento básico ou um equipamento de carácter social, contribuindo assim para abrilhantar ainda mais as festividades. Mas quando essas obras não se concretizam, as críticas em tom de brincadeira são lançadas aos responsáveis governativos do município e da região.

 

Por: CML/GAP /RP

 

 
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