O Porto d’Abrigo do Zoomarine Algarve devolveu ao oceano, quinta-feira, 3 de setembro, Xianna e Xaloc, duas tartarugas-marinhas juvenis da espécie Caretta caretta, numa operação realizada com o apoio da Marinha Portuguesa. Resgatadas em circunstâncias distintas, as tartarugas foram acompanhadas pela equipa do centro de reabilitação até reunirem as condições necessárias para regressar ao seu habitat natural.
As duas tartarugas deram entrada no Porto d’Abrigo durante o verão, depois de terem sido encontradas na costa algarvia. As circunstâncias dos dois resgates evidenciam alguns dos riscos enfrentados pelas tartarugas-marinhas, nomeadamente a presença de resíduos no oceano e a interação acidental com a atividade piscatória.
Xianna deu entrada no Porto d’Abrigo a 16 de junho, depois de ter sido encontrada prostrada e a boiar ao largo de Portimão pela Capitão Nemo, embarcação marítimo-turística que sinalizou o animal. Com 6,5 kg de peso e 33,8 centímetros de comprimento à chegada, foi detetada a presença de plásticos no trato digestivo. O resgate de Xianna constitui também um exemplo da importância da atenção de quem diariamente desenvolve a sua atividade no mar na identificação e sinalização de animais marinhos em situação de vulnerabilidade.
Já Xaloc chegou ao centro de reabilitação a 13 de julho, na sequência de uma captura acidental por redes de pesca de cerco com traineira. Sem que a sua presença tivesse sido inicialmente detetada, a tartaruga foi transportada numa dorna juntamente com sardinha e gelo, de Quarteira até Olhão. Apenas cerca de duas horas depois, já no armazém e durante a retirada da sardinha para embalamento, o animal foi encontrado, tendo a equipa do Peixe Azul contactado de imediato o Porto d’Abrigo. Com 7,4 kg e 36,3 centímetros de comprimento, apresentava alterações gastrointestinais, ligeira desidratação e falta de apetite durante os primeiros dias.
À entrada no Porto d’Abrigo, ambas as tartarugas foram submetidas a uma avaliação clínica, que incluiu exame de estado geral, raio-X, análises sanguíneas e biometrias, tendo Xaloc realizado também uma ecografia e recebido hidratação com soro.
“Cada animal que conseguimos devolver ao oceano representa o objetivo final do trabalho desenvolvido pelo Porto d’Abrigo. Xianna e Xaloc chegaram até nós em circunstâncias muito diferentes, mas as suas histórias mostram alguns dos desafios que as tartarugas-marinhas enfrentam no seu habitat natural. Poder acompanhá-las, garantir a sua recuperação e vê-las regressar ao mar é sempre um momento muito especial para toda a equipa”, afirma Antonieta Nunes, enfermeira veterinária responsável do Porto d’Abrigo do Zoomarine.
“A devolução ao mar de duas tartarugas marinhas simboliza muito mais do que o regresso destes animais ao seu habitat natural. Representa o resultado de um esforço conjunto, assente na partilha de conhecimento, dedicação e compromisso com a proteção do meio marinho. A colaboração entre a Marinha e o Zoomarine demonstra como a união de capacidades e recursos pode produzir resultados concretos na conservação da vida marinha. Enquanto Comandante da Zona Marítima do Sul, expresso o meu reconhecimento a todos os que contribuíram para o sucesso desta iniciativa. O profissionalismo, a competência técnica e a entrega evidenciados ao longo de todo o processo constituem um exemplo de excelência e de responsabilidade ambiental.” afirma Comandante Conceição Dias, Comandante da Zona Marítima do Sul.
Antes da devolução ao mar, as duas tartarugas foram identificadas através da colocação de microchips nas barbatanas anteriores e foram instalados transmissores de satélite que vão permitir acompanhar os seus movimentos e conhecer melhor os seus percursos migratórios, numa operação que contou com a participação dos investigadores Frédéric Vandeperre, do projeto COSTA (Okeanos – Centro de Investigação da Universidade dos Açores) e George Shillinger, da organização internacional Upwell, e a investigadora Rita Patrício, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL).
O regresso de Xianna e Xaloc ao oceano reforça o compromisso contínuo do Zoomarine com a conservação da biodiversidade marinha e com o resgate, reabilitação e devolução ao meio natural de animais encontrados em situação de vulnerabilidade. Desde a criação do Porto d’Abrigo, em 2002, centenas de animais marinhos e aquáticos foram reabilitados e devolvidos ao seu habitat natural.
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