A Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo (ERT Alentejo e Ribatejo) está a preparar um plano para retomar os voos comerciais no Aeroporto de Beja, que, segundo José Santos, presidente da entidade, está “subaproveitado”.
“Os destinos turísticos que têm aeroportos não se podem dar ao luxo de não os utilizar”, afirmou o responsável ao DN, defendendo que a infraestrutura tem potencial para assumir “um papel crucial no desenvolvimento turístico na região”.
Por isso, a ERT Alentejo e Ribatejo tem vindo a preparar um plano para apresentar ao Governo, com o objetivo de captar a aviação comercial, o que pode vir a acontecer já em 2028.
“O Alentejo tem condições para, no curto prazo, dentro de dois ou três anos, colocar no terreno, em interlocução com o Governo, com o Turismo de Portugal e com a ANA Aeroportos, um programa de atração de rotas e de companhias aéreas com voos comerciais para o aeroporto de Beja, criando uma plataforma que possa acelerar o crescimento do turismo”, explicou José Santos.
A entidade regional de turismo já apresentou mesmo um estudo preliminar ao Governo, assim como a várias transportadoras aéreas, incluindo a TAP, e à ANA Aeroportos de Portugal, com José Santos a revelar que a gestora dos aeroportos nacionais “tem demonstrado muito interesse e disponibilidade”.
“Há cerca de um ano e meio realizámos uma reunião com estes players onde apresentámos um estudo elaborado por uma consultora para colocar este plano em ação. Na altura, concluímos que ainda não estavam reunidas as condições, mas acreditamos, agora, que dentro dos próximos dois anos será possível avançar e, portanto, iremos fazer um update desse relatório”, acrescentou.
A região precisa, contudo, de atingir uma capacidade hoteleira significativa para que o plano possa avançar, com José Santos a revelar que, atualmente, a capacidade ronda as 30 mil camas, ainda que existam projetos em desenvolvimento que vão dotar a região de mais cerca de cinco mil leitos.
O presidente da ERT Alentejo e Ribatejo não detalha, no entanto, mais pormenores sobre o plano para atrair voos comerciais para o Aeroporto de Beja, defendendo apenas que a infraestrutura “terá uma grande importância no futuro do turismo do Alentejo”.
“Atualmente, já é bastante relevante para algumas operações hoteleiras do litoral e também no interior e tem uma excelente performance na aviação executiva. Já estamos a tirar partido dele e iremos utilizá-lo gradualmente, e cada vez mais, à medida que a indústria se desenvolver, o que já está a acontecer”, acrescentou.
Há, no entanto, problemas que é preciso ultrapassar, a exemplo das acessibilidades, com José Santos a defender que, “para que o aeroporto possa ser mais competitivo, as ligações ferroviárias e rodoviárias são decisivas”.
“Os destinos turísticos, para serem competitivos, precisam de ter infraestruturas de grande qualidade”, considerou o presidente da entidade regional de turismo, que aplaude o concurso público, lançado em março pela Infraestruturas de Portugal (IP), para a conclusão da A26 entre Santa Margarida do Sado e Beja.
Da parte da autarquia de Beja e apesar de se comprometer “a acolher o projeto de forma muito positiva”, Nuno Palma Ferro, autarca bejense, mostra-se cético de que a infraestrutura aeroportuária possa “cumprir o seu desígnio”, sem que exista uma ligação rodoviária.
“Iremos apoiar todos os projetos que visem a intensificação do Aeroporto de Beja e acredito que a infraestrutura poderá ser um polo bastante atrativo da aviação comercial. Contudo, as acessibilidades afiguram-se como a grande preocupação. É preciso que haja condições e que o Governo dê uma resposta ao fim de tantos anos”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Beja ao DN.
A ausência de uma autoestrada é, segundo o autarca, uma “limitação profunda”, pelo que a conclusão da “obra é essencial” para que o Baixo Alentejo ganhe maior competitividade.
“Sem a A26 não conseguimos competir com nada, tudo isto é uma miragem. Podemos discutir todos os assuntos e projetos, mas esta obra é essencial”, defendeu Nuno Palma Ferro, afirmando que, se a obra não for concluída, será uma “frustração tremenda” para si próprio e para a região.
Publituris


