Um concerto de marimba imperdível no Forte, com o rio Mira por cenário

• O Festival Terras sem Sombra apresenta em Vila Nova de Milfontes, a 12 de setembro (21h30), «O Mundo, Essa Nossa Casa: Poemas Sonoros», pelo Mario Nandayapa Quartet, ensemble mítico do México.

• Uma das protagonistas da noite é uma marimba de grandes dimensões, tocada a oito mãos, num programa que atravessa um repertório mexicano de nomes maiores da música mexicana, mas também de outras geografias.

• O Forte de São Clemente, propriedade privada, abre excecionalmente as suas portas para acolher o concerto, num encontro entre a tradição da marimba mexicana, profundamente ligada à identidade cultural de Chiapas e aberta ao diálogo entre repertórios populares e eruditos, e uma fortificação com mais de quatro séculos, erguida sobre a foz do rio Mira.

 

Uma extensa sucessão de lâminas de madeira, percutidas por baquetas e prolongadas por ressonadores acústicos, dá corpo e alma à marimba, instrumento de grandes dimensões, cuja extensão permite a execução simultânea por vários músicos. Pela capacidade de reunir funções melódicas, harmónicas e rítmicas, a marimba pode assumir a dimensão de uma pequena orquestra. Em Chiapas, no sul do México, a marimba tornou-se uma das expressões mais reconhecíveis da identidade cultural da região.

É esta tradição que o Festival Terras sem Sombra (TSS) apresenta, a 12 de setembro (21h30), em Vila Nova de Milfontes, no imperdível concerto «O Mundo, Essa Nossa Casa: Poemas Sonoros», pelo Mario Nandayapa Quartet. Na noite estival, à beira do rio Mira, o som inconfundível da marimba mexicana irá ouvir-se num magnífico imóvel, de acesso reservado, que integra o imaginário local: o Forte de São Clemente abre excecionalmente as suas portas para acolher este concerto único. Erguida sobre a foz do Mira entre finais do século XVI e o início do século XVII, para defender a entrada do rio e a povoação, a fortificação converte-se, por uma noite, num espaço de encontro entre dois patrimónios apartados pelo Atlântico.

Do México ao mundo tendo como mote a marimba

O programa do serão de 12 de setembro percorre diferentes geografias e linguagens. Parte da tradição mexicana, com autores como Rafael de Paz González e Zeferino Nandayapa, nomes ligados à afirmação da marimba e, em particular, à cultura musical de Chiapas, e abre-se ao repertório europeu, de Bach e Franz von Suppé à intensidade rítmica de Manuel de Falla. O regresso ao México faz-se com Silvestre Revueltas, uma das figuras centrais da música mexicana do século XX.

Fundado em 2008 pelo músico mexicano Mario Nandayapa, o Mario Nandayapa Quartet reúne também os seus filhos Mario, Tania e Daniel, dando continuidade a uma tradição familiar de construtores e intérpretes de marimba com mais de um século. O repertório cruza a música tradicional mexicana com o jazz, a criação contemporânea e outras linguagens, num percurso internacional que já levou o agrupamento ao Japão, Estados Unidos, Coreia do Sul, China, Brasil, Belize e Porto Rico. Entre as suas apresentações contam-se o Tōdai-ji Kinsho Hall, em Nara, o Copley Symphony Hall, em San Diego, o Hi Seoul Festival e o Festival Internacional Cervantino.

Uma tradição de Chiapas no âmago de uma fortaleza sobre o Mira

O cenário escolhido para acolher o concerto, o Forte de São Clemente, nasceu de uma necessidade defensiva. Na sequência dos ataques que atingiram esta faixa do litoral no final do século XVI, a Coroa decidiu fortificar a entrada do Mira. A estrutura começou a ser construída em 1599 e ficou concluída em 1602, numa posição que permitia controlar o estuário e proteger Vila Nova de Milfontes.

Com a perda da sua função militar, o forte passou para mãos privadas no início do século XX e foi posteriormente adaptado a residência. Classificado como Imóvel de Interesse Público em 1978, é propriedade privada e não integra o circuito habitual de visitas. A abertura das suas portas para este concerto representa, por isso, uma oportunidade pouco comum de conhecer o interior de um dos edifícios históricos mais emblemáticos da localidade.

Na sua presença em Vila Nova de Milfontes, o TSS conta com a parceria da Junta de Freguesia local, dos proprietários do Forte de São Clemente, Leigh e Richard Schell, da Secretaria de Relações Exteriores do México, da Embaixada do México em Portugal e do programa Ibermúsicas.

Sublinhe-se também o apoio continuado da Direção-Geral das Artes, do BPI-Fundação «la Caixa» e da CCDR Alentejo. Tal como nas edições anteriores, o Festival conta com o Alto Patrocínio da Presidência da República.

Após Vila Nova de Milfontes, o Terras sem Sombra prossegue, a 26 e 27 de setembro, em Monforte. Às 21h30, a Igreja do Espírito Santo recebe a Accademia del Piacere para «Rediscovering Spain: Glosas, Fantasias e Diferenças (Viagem às Raízes do Flamenco)».

 

Festival Terras sem Sombra