Já se pode entregar garrafas de plástico ou metal em pontos de recolha distribuídos por todo o país e receber 10 cêntimos.

Já arrancou o programa Volta, que é considerado um dos maiores projetos ambientais em Portugal. A partir desta sexta-feira, dia 10 de abril, os consumidores já podem entregar garrafas de plástico em pontos de recolha distribuídos por todo o país e obter um reembolso de 10 cêntimos. Quem está por detrás deste projeto é um consórcio, envolvendo um investimento privado de 150 milhões de euros.

Considerado pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, como um dos maiores projetos ambientais de Portugal, o sistema de depósito com reembolso (SDR) abrange embalagens de plástico ou metal de bebidas de uso único até três litros, com o reembolso da taxa de 10 cêntimos paga na compra de cada embalagem a ser feito através de máquinas instaladas por todo o país.

Os responsáveis pelo SDR avisam que nesta primeira fase ainda haverá embalagens de bebidas, por exemplo garrafas de água, que são aceites nas máquinas e outras, iguais, que não são, apenas porque ainda não têm a marca 'Volta' impressa e explicam que as embalagens que não têm ainda o símbolo do sistema de depósito também não tiveram aplicada a taxa de 10 cêntimos.

Portanto, a partir desta sexta-feira, desde que tenham o símbolo 'Volta', estejam inteiras, sem líquidos, com tampa e com o código de barras, as embalagens serão aceites em qualquer uma das 2.500 máquinas espalhadas pelo país (e 48 quiosques para maior quantidade), junto de supermercados, por exemplo. A máquina esmaga a embalagem e retribui com o reembolso de 10 cêntimos, sob a forma de um “voucher” convertível em dinheiro.

"Para as pessoas, pagam mais 10 cêntimos e esses 10 cêntimos são devolvidos nas máquinas, que dão um ticket que depois vão aos pontos indicados e podem deduzir nas compras ou receber em dinheiro ou fazer uma doação para as entidades de caráter social", explicou a governante.

Programa Volta envolve investimento privado de 150 milhões de euros

No arranque do programa Volta esta sexta-feira, a ministra do Ambiente assinalou que este projeto de depósito e reembolso de garrafas é um investimento privado e não público. “Isto é um consórcio enorme, não há investimento público, é um investimento privado de cerca de 150 milhões de euros, que o fazem também pela responsabilidade alargada do produtor", disse Maria da Graça Carvalho à RTP, acrescentando que “produtores têm a responsabilidade de tratar os resíduos e é nesse sentido que fazem este investimento".

Portanto, o projeto é desenvolvido por um consórcio que reúne as indústrias dos refrigerantes, águas e cervejas — responsáveis por 90% da quota de mercado — e as empresas do retalho alimentar, que representam cerca de 80% do setor. “A iniciativa foi preparada em articulação com o Ministério do Ambiente e Energia e o Ministério da Economia e da Coesão Territorial”, lê-se no website oficial do Governo.

"O Sistema de Depósito e Reembolso é uma verdadeira reforma estrutural, com impactos concretos e mensuráveis na vida dos cidadãos", afirmou a ministra do Ambiente e Energia na sessão de apresentação do programa Volta, que decorreu a 4 de março.

O sistema SDR já está implementado em vários países europeus, como a Alemanha, Áustria e Dinamarca, e recolhe anualmente mais de 35 mil milhões de embalagens, envolvendo cerca de 357 milhões de habitantes. De acordo com experiências em outros países, a SDR Portugal, a entidade gestora do programa Volta, diz que o sistema vai permitir recolher muitas mais embalagens de bebidas de uso único, apontando para taxas de 90% em 2029.

 

*Com Lusa

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