Mais do que um simples grupo de marchantes, esta nova iniciativa apresenta-se como um espaço de encontro, convívio e partilha entre gerações. Reúne atualmente 46 participantes, com idades compreendidas entre os 6 e os 76 anos, numa demonstração clara de que a cultura popular continua a unir crianças, jovens, adultos e seniores em torno de um objetivo comum: celebrar Almancil e afirmar a sua identidade.
Em entrevista, o presidente da Junta de Freguesia de Almancil, Paulo Teixeira, explica como surgiu a ideia de criar as primeiras marchas populares da freguesia.
A Voz do Algarve - Como surgiu a ideia de criar as Marchas Populares de Almancil? Trata-se da primeira edição?
Paulo Teixeira - Sim, é a primeira vez que Almancil tem as suas próprias marchas populares, a ideia surgiu ainda no período pré-eleitoral, quando alguns habitantes da freguesia, sugeriram a criação de uma marcha.
O projeto ganhou uma nova dimensão quando a Catarina Dominguez abraçou a ideia e foi determinante para a sua concretização. Convidou o Nuno para trabalhar a coreografia e, desde então, tudo tem evoluído de forma muito positiva.
Mas, para o presidente da Junta, a importância do projeto vai muito além do espetáculo.
Criou-se um forte espírito de grupo e de bairrismo. Pessoas que antes mal se conheciam convivem agora regularmente e levam com orgulho o nome de Almancil a várias localidades.
Sob o tema "Almancil Encantos Mil", a marcha presta homenagem à riqueza cultural, aos costumes e à beleza desta terra algarvia através da música, da dança e da cor.
V.A - Como tem sido a reação da população a esta iniciativa?
P.T - A receção tem sido extraordinária, segundo o autarca, muitas pessoas manifestaram vontade de integrar a marcha após assistirem às primeiras apresentações.
Muitas pessoas vieram ter connosco a dizer que desconheciam a existência da marcha e que gostariam de participar no futuro. Isso demonstra que havia vontade e espaço para um projeto desta natureza em Almancil.
V.A - Quantas pessoas integram atualmente as Marchas de Almancil?
P.T - Temos cerca de cinquenta participantes, entre adultos e crianças. O grupo mantém-se bastante estável e muito empenhado.
O objetivo nunca foi a competição.
O nosso objetivo não foi criar a marcha mais bonita ou mais competitiva, mas sim afirmar a identidade de Almancil, promover a cultura local e reforçar o orgulho na nossa terra.
Nos desfiles, Patrícia Barradas assume o papel de porta-bandeira, enquanto Cláudia Cabrita dá voz às canções da marcha. Isilda Guerreiro e Orlando Cristina são a Madrinha e o Padrinho desta primeira edição.
Por detrás do espetáculo existe igualmente uma equipa técnica empenhada, composta por Catarina Dominguez na coordenação, Nuno Miguel como ensaiador, Alexys na componente musical, além da empresa Detailed, responsável pelos arcos e adereços. O projeto conta ainda com o apoio das costureiras Maria José Urbano e Cristina Luz.
V.A - Este é um projeto com continuidade garantida?
P.T - Sem dúvida, eu costumo dizer que este é o ano zero. É o ano em que aprendemos, criamos bases e adquirimos experiência. A partir daqui, iremos melhorar e fazer crescer ainda mais este projeto.
A ambição é que a Marcha de Almancil se torne uma referência cultural da freguesia e um símbolo duradouro da identidade local.
V.A - A iniciativa poderá ser alargada a outras atividades populares?
P.T - Sim. Já este ano teremos o Arraial de São João, em São João da Venda, que contará com as Marchas de Almancil, as Marchas de Paderne, sardinhada e muita animação. A intenção é recriar o ambiente dos tradicionais arraiais populares portugueses.
V.A - As Marchas de Almancil já receberam convites para atuar fora da freguesia?
P.T - Sim, temos recebido muitos convites, mais de uma dezena, e até já tivemos de recusar alguns para não sobrecarregar o grupo.
Entre as próximas atuações destaca-se a participação num arraial promovido por Vale do Lobo, destinado aos seus residentes.
Haverá gastronomia típica portuguesa, música popular e, naturalmente, as nossas marchas.
V.A - Como foi desenvolvido todo o trabalho de criação dos figurinos e da componente artística?
P.T - Foi um verdadeiro trabalho de equipa, mas há que destacar o papel extraordinário da Catarina Dominguez.
Segundo o presidente da Junta, Catarina já possuía experiência nas Marchas de Paderne e foi a grande impulsionadora deste projeto.
A Catarina desenhou os figurinos, acompanhou a confeção dos trajes e até disponibilizou o seu próprio espaço para a construção dos arcos. Houve também várias costureiras de Almancil que se juntaram ao projeto e deram um contributo muito importante.
V.A - Quem suporta financeiramente esta iniciativa?
P.T - Nesta primeira edição, todo o investimento é assegurado pela Junta de Freguesia de Almancil.
Desde o início reservámos uma verba para este projeto e os custos têm estado dentro do previsto. Naturalmente, no futuro, será bem-vinda a colaboração de empresas ou patrocinadores que queiram associar-se a esta iniciativa.
V.A - O que representam, para si, as Marchas de Almancil?
P.T - Representam a recuperação de uma dimensão cultural que Almancil foi perdendo ao longo dos anos. Durante muito tempo, tudo esteve muito direcionado para o turismo e para os estrangeiros. Era importante voltar a afirmar a identidade local, as tradições e o orgulho em ser de Almancil.
As marchas vieram precisamente devolver esse sentimento de pertença.
A estreia oficial da Marcha de Almancil aconteceu entre os dias 12 e 14 de junho, com atuações em Benafim, Almancil, Ferreiras e Paderne, que registaram uma calorosa adesão do público.
A Junta de Freguesia destaca ainda a colaboração da Câmara Municipal de Loulé, responsável pelo transporte dos marchantes para as diferentes atuações.
Depois do êxito das primeiras apresentações, a Marcha de Almancil prossegue agora o seu percurso, levando a alegria e a tradição a várias localidades do concelho e da região, convidando toda a população a apoiar este novo símbolo da cultura popular almancilense.
Próximas atuações:
26 de junho – Alte
27 de junho – Aldeia dos Fernandes
10 de julho – Olhos de Água
11 de julho – Almancil
2 de agosto – Almancil
Por Nathalie Dias


