Uma mostra de 70 obras de arte portuguesa dos séculos XIX e XX, em que se inclui uma da adolescência de Júlio Pomar nunca exposta, vai ser inaugurada no sábado no Museu Municipal de Faro, disse o diretor.

Na sua maioria proveniente da coleção do pediatra algarvio Miguel Duarte, o acervo inclui uma obra que o pintor e artista plástico criou quando ainda estudava na Escola António Arroio, agora exposta pela primeira vez, contou à Lusa o diretor do museu, Marco Lopes.

Segundo o responsável, tal como a obra “O sapateiro”, de Pomar, a exposição mostra outras peças que não fazem parte do respetivo catálogo ‘raisonné’, publicação de em que se cataloga de forma abrangente todas as obras conhecidas de um artista.

“É realmente uma coleção extraordinária, exibida pela primeira vez, desconhecida, e que continua a marcar aquilo que é a linha de ação do museu, que é fazer uma programação muito assente em coleções particulares”, sublinhou Marco Lopes.

Com curadoria de Raquel Henriques da Silva, a exposição “Arte Portuguesa dos séculos XIX-XX da coleção de Miguel Duarte”, patente até 20 de setembro, reúne igualmente obras do colecionador Hugo Batalha e está integrada na celebração dos 132 anos daquele museu.

A mostra organiza-se em núcleos temáticos e cronológicos, propondo uma visão da evolução da arte portuguesa entre os séculos XIX e XX, passando pelo naturalismo, modernismo e surrealismo, havendo, ainda, núcleos dedicados à presença feminina e ao pintor Mário Augusto.

Na secção do naturalismo é possível ver obras que evidenciam a paisagem, a arquitetura e a figura humana, de autores como Silva Porto, Marques de Oliveira, Aurélia de Souza, João Vaz e Falcão Trigoso, a par de Mário Augusto.

No núcleo do modernismo, a mostra reúne retratos, paisagens e composições de figuração de autores como António Soares, Júlio Santos e Bernardo Marques, sendo que, no surrealismo, são mostradas obras de Cândido Costa Pinto e Cruzeiro Seixas, entre outros.

Outra das obras que merece destaque na exposição, da coleção de Hugo Batalha, é uma representação de Nossa Senhora, evocativa do ambiente das cerimónias religiosas lisboetas, da autoria de Francis Smith, descendente de família britânica nascido em Portugal.

Para Marco Lopes, o facto de colecionadores como Miguel Duarte permitirem que os seus acervos sejam expostos é “um ato de coragem, de nobreza e também de partilha”, uma vez que o património deve existir com o intuito de ser partilhado, concluiu.

 

Lusa