O Movimento Pela Fábrica defendeu hoje a necessidade de manter o edifício da antiga Fábrica da Cerveja de Faro ao serviço da cultura e evitar a sua venda a privados, apelando à subscrição de uma petição «online».

Felícia Silva, porta-voz do movimento, disse à Lusa que cerca de meia centena de associações e grupos informais uniram-se para defender a continuidade do espaço ao serviço das associações culturais e artísticas, depois de terem tomado conhecimento de que a autarquia estudava a venda do imóvel a privados.

A mesma fonte contou que, ao ser questionado durante uma Assembleia Municipal, no dia 11 de maio, sobre a possível venda do imóvel o presidente da Câmara respondeu que havia manifestações de interesse de vários privados na sua aquisição, mas que não havia ainda uma decisão tomada sobre a matéria.

Intranquilos com o que ouviram de António Miguel Pina, várias associações consideraram que “era importante agir e alertar” e uniram-se no Movimento pela Fábrica e lançaram, na sexta-feira passada, uma petição ‘online’ para que o edifício não seja vendido que contava hoje às 13:00 com mais de 800 assinantes.

A Lusa questionou o presidente da Câmara de Faro sobre a matéria e o autarca respondeu que a posição do Movimento “é respeitável”, mas contrapôs que existem “outros que entendem de outra maneira e que propõem outro uso” para a antiga Fábrica da Cerveja, edifício que apresenta sinais de degradação.

“Para já, não temos nada a acrescentar, o que temos a dizer é que nos preocupa o estado do edifício”, acrescentou António Miguel Pina, apontando para a existência de um relatório da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil que recomenda o “encerramento por falta de licenciamento”.

Felícia Silva reconheceu que “são necessárias obras no edifício, que é muito antigo”, mas lembrou que parte dele alberga a sede da Associação Recreativa e Cultural de Músicos de Faro (ARCM), e a outra parte é utilizada por dezenas de associações culturais e artísticas para realizarem atividades.

“No entanto, não temos acesso a esse relatório, há qualquer coisa aqui que não sabemos”, matizou a porta-voz do Movimento, salientando que o edifício é “muito importante” para a história da cidade, para a paisagem urbana e para a atividade cultural da última década no concelho.

O Movimento Pela Fábrica agrega dezenas de associações culturais, cívicas e Organizações Não Governamentais algarvias preocupadas com a possibilidade de venda do edifício pelo Município de Faro a privados.

Antes da sua edificação, entre 1930 e 1940, esta zona da Vila Adentro já vinha sendo ocupada por instalações fabris desde o final do século XIX, entre as quais uma fábrica de destilação de álcool, entre 1904 e 1935.

No entanto, apesar do nome, o edifício nunca funcionou como fábrica, mas foi ocupado entre 1968 e 1992 pela sociedade distribuidora de cerveja e vinhos do sul e, mais tarde, pelo Regimento de Infantaria do Sul.

No final da década de 1990, o imóvel foi adquirido pela Câmara Municipal de Faro com o objetivo de lhe dar nova utilidade.

A Associação Recreativa e Cultural do Algarve (ARCA), o Cineclube de Faro (CCF), a CÍVIS - Associação para o Aprofundamento da Cidadania, o Laboratório de Atividades Criativas (LAC), o LAMA Teatro, o Museu Zer0, a Sciaena - Associação de Ciências Marinhas e Cooperação ou a Sociedade Recreativa e Artística Farense (SRAF) são algumas das entidades que integram o Movimento.

 

Lusa