Intervenção no Bairro Municipal Frederico Ulrich representa a primeira fase de um projeto que terá continuidade com a reabilitação de mais 30 fogos
Dezoito famílias receberam esta quinta-feira, 10 de setembro, as chaves das novas habitações no Bairro Municipal Frederico Ulrich, em Loulé, num momento que marcou a conclusão da primeira fase de reabilitação daquele que é um dos mais antigos conjuntos habitacionais da cidade. A intervenção, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), permitiu recuperar 18 fogos e melhorar as condições de habitabilidade das famílias que ali vão viver.
As habitações, de tipologia T2 e T3, foram alvo de uma intervenção profunda, que incluiu a ampliação das áreas dos fogos, a reorganização e compartimentação dos espaços interiores e a requalificação dos respetivos logradouros. O objetivo foi adaptar as casas às atuais exigências de conforto e habitabilidade, preservando, ao mesmo tempo, um conjunto habitacional com uma forte importância na história social e urbana de Loulé.
A entrega das chaves constituiu, por isso, não apenas um momento de concretização de uma política municipal de habitação, mas também de recuperação de um património com um forte significado para várias gerações de louletanos.
“É com enorme alegria que hoje devolvemos vida a esta obra, recuperando para as pessoas um projeto que, há mais de sete décadas, já colocava a dignidade das famílias no centro do desenho da nossa cidade, e que hoje volta a fazer exatamente isso”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, durante a cerimónia.
Um bairro com mais de sete décadas de história
Conhecido durante décadas como Bairro Operário, o atual Bairro Municipal Frederico Ulrich nasceu entre 1948 e 1950, numa época em que Loulé procurava dar resposta às necessidades habitacionais das famílias com menores recursos.
O projeto original foi desenvolvido pelo engenheiro Alberto da Silveira Ramos e pelo arquiteto louletano Manuel Maria Laginha, uma das figuras marcantes da arquitetura de Loulé. O conjunto viria a constituir a primeira grande iniciativa de habitação social do concelho, assumindo desde o início uma dimensão que ultrapassava a simples construção de casas.
Mais de 70 anos depois, o bairro continua ligado à memória de várias gerações. Alguns dos primeiros moradores permanecem, inclusive, no local, acompanhando agora a transformação do espaço onde construíram parte das suas vidas.
A reabilitação pretende, assim, conciliar a recuperação física dos edifícios com a preservação da identidade de um bairro que faz parte da memória coletiva da cidade.
Segunda fase vai abranger mais 30 habitações
A intervenção no Bairro Frederico Ulrich não termina com a entrega destas 18 habitações. O Município prepara já a segunda fase do projeto, que abrangerá mais 30 fogos.
À semelhança do que aconteceu nesta primeira intervenção, as famílias atualmente residentes nos edifícios que serão alvo de obras serão realojadas temporariamente. Para esse efeito, a Câmara prevê recorrer a apartamentos municipais disponíveis na cidade, bem como a algumas das habitações já reabilitadas na primeira fase que ainda não se encontram ocupadas.
A segunda fase permitirá dar continuidade à renovação de um dos mais antigos bairros habitacionais de Loulé, melhorando progressivamente as condições de vida dos seus moradores.
Parque habitacional municipal cresceu mais de 70%
Durante a cerimónia, Telmo Pinto destacou ainda a evolução registada no parque habitacional municipal desde 2019, ano em que o Município lançou a Estratégia Local de Habitação.
Na altura, a Câmara Municipal de Loulé dispunha de cerca de 280 fogos municipais. Com a disponibilização das 18 novas habitações, o concelho ultrapassa agora as 490 casas, representando um crescimento superior a 70% em pouco mais de sete anos.
Para o autarca, este crescimento traduz uma mudança significativa na capacidade de resposta do Município perante as dificuldades sentidas pelas famílias no acesso à habitação.
“Ainda temos muitos projetos pela frente”, afirmou Telmo Pinto, sublinhando que a estratégia municipal terá continuidade através da criação e aquisição de novas habitações em diferentes pontos do concelho.
Segundo o presidente da Câmara, estão atualmente em desenvolvimento projetos que representam mais de 500 novas habitações, através da aquisição de terrenos e de operações de compra e construção.
O autarca anunciou ainda que o Município pretende avançar, já no próximo ano, com mais 600 fogos, reforçando a aposta na habitação como uma das áreas prioritárias da política municipal.
Arrendamento também continuará a ser reforçado
Além da construção e reabilitação do parque habitacional municipal, a Câmara Municipal de Loulé tem recorrido ao apoio ao arrendamento como resposta mais imediata às famílias que enfrentam dificuldades no mercado privado.
Recentemente, mais 65 famílias foram abrangidas por este apoio, instrumento que o Município pretende reforçar no futuro.
A intenção, segundo Telmo Pinto, passa por triplicar o número de famílias apoiadas e aumentar igualmente o valor dos apoios atribuídos, numa tentativa de acompanhar a subida dos custos da habitação e a pressão que o mercado imobiliário continua a exercer sobre os agregados familiares.
A estratégia municipal combina, assim, três frentes de intervenção: a construção de novas habitações, a recuperação do património municipal existente e o apoio direto às famílias através do arrendamento.
No caso do Bairro Frederico Ulrich, a reabilitação dos 18 primeiros fogos representa mais um passo numa intervenção que pretende devolver qualidade habitacional a um espaço histórico da cidade, mantendo no centro da operação as famílias que, ao longo de décadas, fizeram daquele bairro a sua casa.



