Os juros nos créditos habitação em Portugal estavam a descer a bom ritmo, tendo registado um mínimo de três anos em fevereiro. Mas esta trajetória de queda foi interrompida em março, com juros na habitação a subir para 3,088%. Esta foi mesmo a primeira vez que os juros nos empréstimos da casa aumentaram em dois anos, num contexto em que as taxas Euribor registaram uma alta subida devido à guerra no Irão.
“A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito habitação apresentou a primeira subida desde janeiro de 2024, para 3,088% em março, traduzindo um aumento de 0,9 pontos base (p.b.) face a fevereiro (3,079%)”, indica o Instituto Nacional de Estatística (INE) no boletim divulgado esta terça-feira, dia 21 de fevereiro.
Também para o destino de financiamento aquisição de habitação - “o mais relevante no conjunto do crédito habitação”, segundo o INE -, a taxa de juro implícita para o total dos contratos subiu para 3,086%, mais 0,9 p.b. face a fevereiro.
Este aumento dos juros na habitação em março, que interrompe um ciclo de descidas de 25 meses, acaba por surgir exatamente no mesmo mês que as taxas Euribor subiram em flecha devido ao conflito no Médio Oriente, que trocou as voltas aos mercados financeiros fazendo-os antecipar um agravamento da política monetária por parte do Banco Central Europeu (BCE) não na próxima reunião de 30 abril, mas a partir do verão.
A subida dos juros terá sido sentida nas prestações da casa na totalidade dos contratos de crédito habitação em Portugal. Isto porque o valor médio da prestação fixou-se em 402 euros em março, mais cinco euros face ao mês anterior e quatro euros acima do verificado um ano antes. Este é o valor mais elevado registado na prestação em mais de um ano. “Do valor da prestação, 196 euros (48,8%) correspondem a pagamento de juros e 206 euros (51,2%) a capital amortizado”, revela o INE.
Este aumento da prestação da casa também terá sido influenciado pelo crescimento do capital médio em dívida para a totalidade dos contratos. “Em março, o capital médio em dívida para a totalidade dos contratos subiu 584 euros comparativamente ao mês anterior, elevando-se a 77.078 euros”, informa ainda o gabinete de estatística português.
Novos créditos habitação com juros ainda a descer
Já nos créditos habitação contratados no primeiro trimestre de 2026, os juros voltaram a descer depois de serem subido no mês anterior. “Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro fixou-se em 2,830%, (menos 4,1 p.b. face à taxa observada no mês precedente)”.
Também para o destino de financiamento de aquisição de habitação, a taxa de juro nos novos contratos desceu 4,8 p.b. comparativamente com o mês anterior, para 2,823% em março.
Há vários fatores que podem ajudar a explicar esta descida dos juros nos novos créditos habitação. Desde logo, importa salientar que a maioria destes empréstimos para a compra de casa própria é a taxa mista, a qual tem estado acessível e dá estabilidade nos primeiros anos do contrato. E, segundo os dados do BdP, só cerca e um quinto destes créditos da casa são a taxa variável, estando expostos às variações da Euribor, que só começou a subir de forma expressiva em março.
Esta descida dos juros não foi, contudo, suficiente para baixar a prestação da casa, que terá aumentado em março para 700 euros, mais cinco euros face ao mês anterior. Em termos homólogos, a prestação subiu 15,9%, informa o boletim. Este aumento da prestação nos novos créditos habitação pode ser explicado pelo crescimento do montante médio em dívida, que se fixou em 175.838 euros em março, mais 3.976 euros que em fevereiro.
Ao que tudo indica, os novos créditos habitação contratados a partir de abril deverão sentir um aumento nos juros, perante as recentes subidas da Euribor e dos swaps. Resta saber se os bancos vão já refletir nas taxas mistas e fixas estes aumentos ou se vão aguardar por um movimento dos juros do BCE.
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