Dia Internacional da Epilepsia – 9 de fevereiro

Dado é um forte indicador de elevada farmacorresistência no país e sublinha a urgência de otimizar as abordagens terapêuticas, alertam especialistas.

 

No âmbito do Dia Internacional da Epilepsia, a Liga Portuguesa Contra a Epilepsia (LPCE) lança um alerta baseado em novos dados do estudo epidemiológico EpiPort, que revelam a complexidade e o peso da epilepsia em Portugal: quase metade (43,9%) dos doentes medicados necessita da associação de três ou mais fármacos anticrises epiléticas para gerir a sua condição.[1]

Para um doente, este nível de polimedicação traduz-se num pesado fardo diário que vai muito além de tomar múltiplos medicamentos. Como documentado na literatura científica, um elevado número de fármacos está diretamente associado a um aumento de efeitos adversos (como sonolência, tonturas ou dificuldades de concentração)[2], a uma menor adesão à terapêutica e a uma qualidade de vida significativamente reduzida.[3] Este fardo estende-se à sociedade, implicando custos diretos mais elevados para o Serviço Nacional de Saúde (SNS)[4] e custos indiretos, como a perda de produtividade.4-[5]

“A constatação de que quase metade dos doentes medicados necessita de três ou mais fármacos é, para nós, clínicos, o dado mais revelador do EpiPort sobre a complexidade da doença no nosso país. Isto não é apenas uma estatística sobre prescrições; é um poderoso indicador clínico de que a prevalência da epilepsia farmacorresistente em Portugal pode ser muito superior ao que pensávamos. Estamos a quantificar, a nível nacional, a dimensão do desafio terapêutico”, afirma Nuno Canas, neurologista e presidente da direção nacional da LPCE.

Este cenário contrasta com o objetivo último no tratamento da epilepsia que, de acordo com o consenso da comunidade médica internacional, é alcançar a liberdade de crises com o menor número de fármacos possível, para minimizar os efeitos adversos e melhorar a qualidade de vida.[6]

É esta lacuna entre a realidade vivida por milhares de doentes e o tratamento ideal que, segundo as conclusões do próprio relatório do EpiPort, reforça a necessidade urgente de programas de Saúde Pública mais eficazes e de uma alocação de recursos adequada para responder a este desafio.1

Nuno Brás, Diretor-geral da Angelini Pharma em Portugal, sublinha o compromisso da companhia: "Estes dados do EpiPort expõem a luta diária que muitos doentes e médicos enfrentam para gerir uma condição tão complexa. O nosso papel é sermos parceiros na procura de soluções que ajudem a aliviar esse peso. Apoiamos a investigação precisamente para trazer à luz estas realidades, garantindo que o objetivo de uma vida com qualidade e livre de crises seja uma realidade para um número cada vez maior de pessoas."

O EpiPort é o primeiro inquérito desta magnitude sobre a epilepsia em Portugal em mais de duas décadas. Conduzido pela LPCE, com a consultoria técnica da IQVIA e o apoio da Angelini Pharma, este estudo epidemiológico envolveu um inquérito porta-a-porta a 10.666 indivíduos em todo o território nacional. A metodologia permitiu não só atualizar a prevalência da doença – que se revelou o dobro das estimativas anteriores – mas também, como agora se divulga, saber mais sobre o percurso terapêutico do doente.1

 

Burson



[1] Bentes C, Lopes Lima J, Pereira C, et al. Prevalance of Epilepsy in Portugal: an Epidemiologic Population-Based Study (EPIPORT). Poster presented at the 36º International Epilepsy Congress (IEC), Sep 2025.

[2] Lozano-García A, et al. Epilepsy Behav. 2025;162:110170

[3] Terman SW, et al. Epilepsy Behav 2020;111:107261

[4] Villanueva V, et al. Neurología 2013;28:195-204

[5] Toledano R, et al. J Neurol 2023;270:5945–5957 

[6] Tomson T, et al. Epileptic Disord. 2023;25:649–669.