Há duas faces da moeda no que diz respeito à subida dos juros nos últimos meses. Por um lado, o aumento das taxas encarece o custo dos créditos habitação a taxa variável. Mas, por outro, as poupanças em certificados de aforro estão a sair beneficiadas, com as remunerações a atingir o teto máximo de 2,5% em setembro.
A taxa-base dos certificados de aforro é determinada no antepenúltimo dia útil de cada mês para vigorar no mês seguinte. E calcula-se tendo por base a média da Euribor a 3 meses nos 10 dias úteis anteriores, não podendo ser superior a 2,5% nem inferior a 0%. É por isso que as remunerações deste instrumento de poupança do Estado acabam por sair beneficiadas com a subida da Euribor a 3 meses, que se fixou em 2,513% em agosto (2,425% no mês anterior).
Perante este aumento da Euribor a 3 meses, a taxa de juro bruta para novas subscrições de certificados de aforro (série F) foi fixada em 2,5% em setembro, tendo atingido o teto máximo admitido, após seis meses a crescer, segundo os dados revelados pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP. E a esta taxa acrescem ainda os prémios de permanência para os aforradores.
Este aumento das remunerações tem levado mais famílias a investir em certificados de aforro, tendo o montante total subido em julho, pelo 22.º mês consecutivo, atingindo os 43.851 milhões de euros, um novo máximo histórico. Trata-se de um crescimento homólogo de 14,7%, segundo o Banco de Portugal.
Além dos certificados de aforro, os depósitos a prazo também poderão passar a render mais. Em junho, a taxa de juro média nos novos depósitos a prazo de particulares ficou-se em 1,55%, tendo ultrapassado o patamar de 1,5% pela primeira vez desde abril de 2025.
A subida da Euribor tem vindo a antecipar um possível novo aumento dos juros diretores por parte do Banco Central Europeu (BCE) na reunião do próximo dia 10 de setembro na ordem dos 25 pontos, elevado a taxa dos depósitos para 2,5%. Esta é, pelo menos, a expectativa mais aceite pelos mercados financeiros atualmente, tendo sido já antecipada pela própria Isabel Schnabel, membro da comissão executiva do regulador europeu, refere o Jornal de Negócios.
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